A informação foi avançada pelo secretário de Estado das Infraestruturas, Hugo Espírito Santo, durante a audição sobre o tema realizada na Comissão Parlamentar de Infraestruturas, Mobilidade e Habitação.
Assinalando que se trata de “um projeto de quase uma linha nova”, o governante explicou que a intervenção permitirá modernizar significativamente esta ligação ferroviária e aumentar a velocidade de circulação até aos 200 quilómetros por hora.
De acordo com o secretário de Estado, esta melhoria permitirá que a viagem entre Lisboa e Beja possa ser feita “em cerca de uma hora”.
Na audição parlamentar, Hugo Espírito Santo reiterou também que o projeto “tinha maturidade mais do que suficiente”, afastando as críticas anteriormente levantadas sobre este aspeto.
Perante os deputados, o governante apontou “uma incoerência profunda” na decisão da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Alentejo de retirar 60 milhões de euros ao projeto, parte das verbas comunitárias inicialmente previstas. “Se achavam que a maturidade não era viável, porque é que deixaram 20 milhões?”, questionou.
Segundo o responsável, o Governo não deu qualquer indicação à CCDR do Alentejo para retirar 60 dos 80 milhões de euros inicialmente previstos de fundos comunitários, decisão que considerou ter prejudicado o projeto.
Ainda assim, adiantou que os ministérios das Infraestruturas e Habitação e do Ambiente e Energia estão a “preparar uma resolução do Conselho de Ministros para aprovar a despesa e plurianualidade da obra”, documento que poderá estar concluído “nos próximos dias”.
Essa resolução deverá assumir os 20 milhões de euros ainda inscritos no programa operacional Alentejo 2030 e substituir os restantes fundos entretanto retirados por verbas do Programa Sustentável 2030 e do Fundo Ambiental.
Quanto ao calendário da obra, Hugo Espírito Santo indicou que a intervenção será realizada por fases.
O primeiro troço, entre Casa Branca, no concelho de Montemor-o-Novo, e Vila Nova da Baronia, no concelho de Alvito, deverá concentrar a maior parte do investimento em 2028, estando prevista a sua conclusão em 2029. Seguir-se-ão os troços Vila Nova da Baronia–Cuba e Cuba–Beja, cujas obras deverão decorrer de forma sequencial até 2032.
“Entendo que estarmos à espera até 2032 é manifestamente frustrante”, admitiu o governante, reconhecendo a necessidade de acelerar a execução do projeto.
Durante o período das obras, acrescentou, serão asseguradas “soluções para transporte alternativo” para os passageiros, envolvendo a Infraestruturas de Portugal, a CP e as autarquias locais.
Em audição parlamentar realizada em fevereiro, o então presidente da CCDR do Alentejo, António Ceia da Silva, justificou a retirada de parte das verbas comunitárias com a falta de maturidade do projeto.
“A obra, de acordo com os estudos da IP, só estaria concluída em 2032 e isso significa que iríamos perder essa verba, ou seja, o Alentejo todo iria perder 60 milhões de euros”, afirmou então.
Já o presidente da Infraestruturas de Portugal, Miguel Cruz, indicou na mesma audição que, aquando da candidatura do primeiro troço da obra, em setembro de 2025, o projeto cumpria “o nível de maturidade estabelecido e exigido” pela CCDR.
Texto: Alentejo Ilustrado/Lusa | Fotografia: D.R.












