Ponte de Sor: Portugal Air Summit suspenso e sem data para regressar

O Portugal Air Summit não se realiza este ano. O Município de Ponte de Sor e a ACIPS - Associação Comercial e Industrial de Ponte de Sor anunciaram uma pausa na edição que estava prevista, invocando «sinais de saturação» do mercado nacional.

A decisão, explicam as duas entidades em comunicado, «resulta de uma reflexão estratégica sobre a evolução do setor e sobre o papel que o Portugal Air Summit desempenhou desde a sua criação, bem como sobre a melhor forma de projetar a marca e o território para o futuro».

O município e a ACIPS apontam a multiplicação de iniciativas concorrentes como fator determinante. Segundo o comunicado, Portugal assistiu nos últimos anos ao «surgimento de diversos eventos dedicados, total ou parcialmente, às mesmas áreas de atividade», alguns dos quais «apresentam conceitos claramente inspirados no percurso iniciado pelo Portugal Air Summit e beneficiam de condições muito diferentes, realizando-se em grandes centros urbanos, com incomparáveis capacidades logísticas, institucionais e financeiras».

«Apesar do crescimento do setor, o mercado nacional revela sinais de saturação face à multiplicação de iniciativas, reduzindo a oportunidade e a diferenciação que sempre caracterizaram o nosso evento», acrescentam as duas entidades, que consideram ser «o momento adequado para fazer uma pausa, avaliar o caminho percorrido e preparar as próximas etapas».

O regresso do certame não tem data. «A marca permanece viva e continuará a fazer parte da estratégia do município», refere o comunicado, adiantando que «o evento regressará quando a sua realização representar, como sempre representou, uma verdadeira mais-valia para Ponte de Sor, para o setor e para o país».

As duas entidades sublinham ainda que «o objetivo não é repetir um modelo por tradição ou continuidade», antes «preservar aquilo que tornou o Portugal Air Summit relevante e, a partir dessa experiência, encontrar novas formas de criar valor, diferenciação e impacto».

Ao longo de sete edições, lê-se no documento, o evento afirmou-se «como uma das principais plataformas nacionais dedicadas à aviação, aeronáutica, espaço e defesa», reunindo mais de 300 mil visitantes, 948 oradores nacionais e internacionais e 553 empresas e entidades expositoras, e promovendo «a realização de mais de 290 milhões de euros em oportunidades de negócio».

O impacto económico no território é estimado em 11,1 milhões de euros, a que se somam cerca de 15 mil dormidas, mais de duas mil notícias publicadas e uma audiência mediática superior a 85 milhões de pessoas.

Criado em 2017, o Portugal Air Summit foi, segundo o município e a ACIPS, «um evento pioneiro em Portugal». «Num momento em que praticamente não existiam fóruns dedicados à aviação, aeronáutica, espaço e, mais tarde, à defesa, Ponte de Sor assumiu a iniciativa de criar uma plataforma de debate, conhecimento e networking», recorda o comunicado, que assinala uma participação internacional crescente ao longo dos anos.

As duas entidades lembram que, «para um município do interior, este foi um desafio ambicioso, mas também um instrumento estratégico de afirmação territorial».

O objetivo, explicam, era «dar a conhecer Ponte de Sor ao setor, demonstrar o potencial do concelho para acolher investimento e criar condições para o desenvolvimento de um ecossistema ligado à aviação e à aeronáutica». «Em 2017, poucos conheciam a realidade que hoje existe no território. Era necessário colocar Ponte de Sor no mapa», refere ainda o documento, que dá o objetivo como «plenamente alcançado».

Nos próximos meses, indica o comunicado, serão levadas a cabo «diversas ações de divulgação, promoção e valorização do trabalho realizado no território, dando visibilidade às empresas instaladas, aos projetos em desenvolvimento e às oportunidades existentes», com o propósito de «manter uma presença ativa e permanente junto dos principais agentes do setor».

O município garante que continuará «a assumir um papel ativo na dinamização da aviação, aeronáutica, espaço e defesa em Portugal» e que Ponte de Sor manterá presença na agenda do setor «através de uma estratégia abrangente, que não depende exclusivamente da realização de um evento». «Nunca foi nossa ambição organizar um evento apenas por tradição ou continuidade. Procuraremos novas formas de marcar a agenda, mantendo o espírito inovador que sempre caracterizou o trabalho desenvolvido em Ponte de Sor», conclui o comunicado.

Uma resposta

  1. O texto afirma: “O impacto económico no território é estimado em 11,1 milhões de euros, a que se somam cerca de 15 mil dormidas, mais de duas mil notícias publicadas e uma audiência mediática superior a 85 milhões de pessoas.”

    Contudo, enquanto contribuinte, o que realmente importa é saber quanto dinheiro público é efetivamente gasto neste evento — ou, em alternativa, uma declaração inequívoca de que a receita gerada cobre integralmente todas as despesas, sem necessidade de recorrer ao erário.

    Se o evento precisar nem que seja de um único cêntimo de financiamento público para subsistir, então falha no seu propósito e perde a razão de existir. Um evento que se afirma economicamente relevante deve ser capaz de se autossustentar, sem depender dos impostos dos contribuintes.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Partilhar artigo:

ASSINE AQUI A SUA REVISTA

Opinião

ALENTEJO CARTOONADO
por Rui Pimentel

O ALENTEJO DE SARAMAGO
Roteiros

CARLOS LEITÃO
Crónicas

BRUNO HORTA SOARES
É p'ra hoje ou p'ra amanhã

Caro? O azeite?

PUBLICIDADE

© 2026 Alentejo Ilustrado. Todos os direitos reservados.

Desenvolvido por WebTech.

Assinar revista

Apoie o jornalismo independente. Assine a Alentejo Ilustrado durante um ano, por 48,00 euros (IVA e portes incluídos)

Pesquisar artigo

Procurar