Candidatura de Vila Viçosa a Património da Humanidade chega ao Parlamento

O presidente da Câmara de Vila Viçosa, Inácio Esperança, entregou ontem, ao presidente da Assembleia da República, os três volumes que sustentam a candidatura «Vila Viçosa – Sede Ducal» a Património da Humanidade, o mesmo processo que Portugal já submeteu à Unesco.

Trata-se de três livros, os mesmos que foram entregues à Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). São, segundo o autarca, «os volumes que suportam a candidatura, que são os textos, o quadro de gestão».

O objetivo do processo é abrangente. «É uma candidatura que pretende que Vila Viçosa – Sede Ducal seja classificada como património da Humanidade», resume o presidente da Câmara, acrescentando que o município procura «demonstrar esse valor universal através dos textos históricos e de outros argumentos».

Mais do que o que já existe, o que o município leva à Unesco é uma promessa. O autarca diz querer mostrar que a vila «tem não apenas condições para ser classificada, mas também se compromete no futuro a fazer os investimentos necessários para ir recuperando e mantendo os seus patrimónios».

Questionado sobre a envergadura financeira que a aprovação implicaria, Inácio Esperança escusou-se a apresentar um total. «No global, é difícil quantificar neste momento, mas já assim para o arranque e para os primeiros monumentos, que são três edifícios que vamos intervencionar, mais um que já recuperámos, anda à volta de 18 milhões de euros», afirmou, referindo-se ao primeiro ano de trabalhos.

Em causa estão a Capela de São João Batista, já recuperada, e as Igreja de Nossa Senhora da Lapa, o Santuário de Nossa Senhora da Conceição e o Convento de Santo António, a necessitarem de obras.

A candidatura «Vila Viçosa – Sede Ducal» propõe a classificação do conjunto urbano e monumental da vila, e não de um edifício isolado, assente na marca deixada pela Casa de Bragança no território — o Paço Ducal, o castelo, as igrejas e conventos, o casario e a exploração do mármore, que moldou a paisagem e a economia do concelho.

O processo é promovido pela Câmara Municipal em parceria com a Fundação da Casa de Bragança e inclui um plano de gestão que fixa as obrigações de conservação e valorização assumidas pelo município.

O dossiê final foi entregue à Comissão Nacional da Unesco em dezembro de 2025 e validado em Lisboa nesse mesmo mês, seguindo depois para o Centro do Património Mundial, em Paris.

O município trabalha agora com a meta de ver a candidatura apreciada na reunião internacional de 2027, em Istambul. Falta ainda a apreciação pelo Comité Técnico de Avaliação, prevista para novembro ou dezembro.

Em paralelo, e sem que isso integre o processo da Unesco, decorre um procedimento de classificação nacional do conjunto.

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