O filme, com 52 minutos, assinala os 50 anos de carreira de Manuel Dias, fundador do Trulé – Investigação de Formas Animadas, que a produção apresenta como o «internacionalmente premiado marionetista português».
Produzido pela É Neste País – Associação Cultural, o documentário divide-se em duas partes. A primeira, «Variações do Manuel em redor de marionetas», percorre a vida e obra do artista até à primeira internacionalização, em 1998.
A segunda, «Variações de marionetas em redor do Manuel», acompanha o trabalho até à atualidade, «com forte ênfase na relação do marionetista com as marionetas» e «à procura de uma resposta para a pergunta: é Manuel Dias que manipula as marionetas ou são as marionetas que manipulam Manuel Dias?».
O argumento é «maioritariamente composto por excertos de entrevistas», feitas ao próprio artista e a amigos, colegas de trabalho, artistas e familiares «que ao longo do seu percurso de alguma forma estiveram presentes na sua vida pessoal e profissional».
O desafio, contam os realizadores, «partiu do próprio Manuel Dias e da É Neste País – Associação Cultural», que lhes propôs um trabalho audiovisual sobre o percurso do marionetista a partir do acervo fotográfico e audiovisual do artista e do Trulé. «De imediato pensámos que a melhor forma de retratar um percurso profissional e artístico tão rico como o do Manuel Dias seria através da realização de um documentário», explicam.
«Já tínhamos pensado fazer um trabalho audiovisual mais profundo sobre o Manuel Dias e as suas marionetas mas, neste caso, eles anteciparam-se e escolheram-nos para contarmos a sua história», acrescentam José Coimbra e Tiago Guimarães, dizendo ter encarado o convite «com um grande sentido de responsabilidade porque nunca é fácil resumir a vida de alguém num produto audiovisual com pouco mais de 50 minutos de duração».
Sendo «a sala de espetáculos mais nobre e emblemática da cidade de Évora», pelo Teatro Garcia de Resende já passaram grandes nomes da cultura nacional e internacional». Mas a escolha deste espaço para estreia do documentário, referem os realizadores, é «sobretudo importante para o Manuel Dias», que ali começou a trabalhar quando chegou à cidade, em 1975, «como cenógrafo do então Centro Cultural de Évora, a primeira experiência de descentralização teatral — ainda hoje bem-sucedida — do país no pós-25 de Abril de 1974».
«É uma sala carregada de memórias e emoções para o Manuel Dias. É o local de excelência para a estreia do documentário», resumem.
A estreia na abertura do Contanário, confessam, é «outro motivo de orgulho» uma vez que este documentário «acaba por ser, também, uma forma de contar a história do Manuel Dias. É um conto, ou uma forma de contar, um pouco original».










