“Uma inspiração eterna. Um legado imortal. Até sempre presidente dos presidentes”, lê-se mensagem do clube portuense, legendando uma fotografia de Pinto da Costa, com os anos do nascimento e morte.
Jorge Nuno Pinto da Costa, ex-presidente do FC Porto, no qual se estabeleceu como dirigente mais titulado e antigo do futebol mundial entre 1982 e 2024, morreu hoje aos 87 anos, vítima de doença prolongada.
Pinto da Costa tinha sido diagnosticado com um cancro na próstata em setembro de 2021 e agravou o seu estado de saúde nas últimas semanas, menos de um ano depois da derrota frente a André Villas-Boas, antigo treinador da equipa de futebol portista e atual 34.º presidente do clube, nas eleições mais participadas da história ‘azul e branca’, em 27 de abril.
Empossado pela primeira vez em 23 de abril de 1982, seis dias depois de ter sido eleito sem oposição como sucessor de Américo de Sá, o ex-dirigente exerceu funções durante 42 anos e 15 mandatos consecutivos, levando o FC Porto à conquista de 2.591 títulos em 21 modalidades – 69 dos quais no futebol sénior masculino, incluindo sete internacionais.
“É um momento de consternação profunda e de triste pesar para todos os Portistas e para o futebol nacional e internacional. Vemos partir um homem que marcou o FC Porto, os seus Associados e Adeptos, o Portismo, a cidade do Porto, a região Norte e o País”, reagiu o presidente do clube, André Villas-Boas, num comunicado divulgado no site oficial dos ‘dragões’.
Elegendo Pinto da Costa como “o presidente dos presidentes”, Villas-Boas salientou que o seu antecessor no cargo “dedicou toda uma vida para colocar e elevar o nome da Instituição ao topo do mundo”.
“Entregou-se de corpo e alma ao Clube e pelo caminho formou homens e mulheres, jogadores e atletas orientados para a vitória e assentes na defesa dos mais elevados princípios com que defendeu o nosso símbolo e ajudou a formatar os valores do Futebol Clube do Porto”, notou o presidente portista, que em 2010/11 foi aposta de Pinto da Costa para treinador da equipa de futebol, conquistando nessa temporada o título de campeão nacional, a Taça de Portugal, a Supertaça Cândido de Oliveira e a Liga Europa, antes de rumar ao Chelsea.
O Presidente da República também lamentou a morte do ex-presidente do FC Porto, apontando “uma determinação e um estilo muito próprio” a quem Portugal fica a dever “prestígio externo num período inseparável da sua liderança”.
“O Presidente da República apresenta as suas condolências à família de Jorge Nuno Pinto da Costa, ao Futebol Clube do Porto e a muitos milhares de adeptos que o acompanharam ao longo de mais de quatro décadas de liderança do clube”, pode ler-se numa nota publicada no sítio oficial da Presidência da República.
Para Marcelo Rebelo de Sousa, num momento em que o juízo a fazer “deve ser o mais possível distanciado”, o que mais deve sobressair é “aquilo que o país fica a dever de prestígio externo num período inseparável da sua liderança”.
O Presidente da República recordou que, no início dos anos 80, “então jovem membro do Governo” conheceu Pinto da Costa, que “levaria o seu clube a inúmeras vitórias nacionais e internacionais”.
“Mais tarde, muitas foram as vezes em que pôde testemunhar além dos sucessos consecutivos, uma personalidade, uma determinação e um estilo muito próprio, que suscitava grandes apoios, mas também muitas divergências”, acrescentou.
Montenegro enaltece “personalidade única
O primeiro-ministro, Luís Montenegro, expressou o pesar pela morte de Jorge Nuno Pinto da Costa e enalteceu-o como “uma personalidade única no dirigismo desportivo” e o “mais titulado dos presidentes de clubes” em termos mundiais.
“Jorge Nuno Pinto da Costa foi uma personalidade única no dirigismo desportivo, tendo sido o mais titulado dos Presidentes de Clubes à escala mundial”, pode ler-se nas redes sociais de Luís Montenegro.
Em nome pessoal e do Governo, o primeiro-ministro expressou “profundo pesar e solidariedade” à família, aos amigos e ao FC Porto.
Por sua vez, Pedro Proença, eleito na sexta-feira presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), assinalou que as conquistas de Pinto da Costa “serão eternas”, no dia em que morreu o antigo presidente do FC Porto.
“Das Antas ao Dragão, de Viena a Gelsenkirchen, de Sevilha a Tóquio, as suas conquistas serão eternas, o seu legado será honrado e a sua memória será respeitada. Despeço-me com gratidão. Até sempre, Amigo Presidente”, escreveu Pedro Proença.
O novo presidente da FPF, de saída da Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP), que presidiu a partir de 2015, assinalou também o “palmarés único a nível nacional e internacional” de Pinto da Costa, um dirigente histórico que dedicou 42 anos da vida ao FC Porto.
“Recordo a amizade, os ensinamentos e o respeito mútuo ao longo de décadas de convivência numa indústria para cujo crescimento e emancipação tanto contribuiu, tendo mesmo presidido à Liga Portugal entre 1995 e 1996”, considerou o antigo árbitro.
Fotografia | José Coelho/EPA/Lusa