Durante o debate, PSD, PS, PCP, CDS-PP, Livre, BE e PAN manifestaram-se a favor da reposição do diploma.
Tal como aconteceu em 17 de janeiro, quando o Parlamento aprovou o diploma, a Iniciativa Liberal manifestou-se contra a reposição de freguesias.
O PSD analisou os argumentos do Presidente para o veto do diploma, mas decidiu reconfirma-lo porque “parar este processo violaria de forma desnecessária e injustificada as legítimas expectativas das populações”, destacou o deputado social-democrata Jorge Paulo Oliveira.
O deputado social-democrata sublinhou que, “embora muitos só agora pareçam ter acordado para esta temática, o debate sobre a correção da reforma territorial autárquica”, não começou agora, mas “iniciou-se em 2020 e ficou concluído em 2021”.
“Sim, da correção da reforma e não de uma qualquer contrarreforma, como muitos alegam”, sublinhou.
Jorge Botelho, pelo PS, destacou que o partido analisou o teor das dúvidas manifestadas pelo Presidente da República, “mas, discorda das mesmas pelo que irá confirmar o diploma”.
“Iremos confirmar o diploma porque, no nosso entender, o mesmo deve entrar em vigor o mais rápido possível e a tempo que, ainda nas próximas eleições autárquicas deste ano, o novo mapa autárquico de freguesias seja uma realidade e as novas freguesias agora desagregadas possam ser sujeitas a voto por parte das populações”, acrescentou.
Mariana Leitão reiterou o voto contra da IL, considerando que se em janeiro “já havia poucas condições políticas para a desagregação de mais freguesias, em março, em plena crise política e após um veto presidencial, insistir neste processo é irresponsável”.
“Criar mais freguesias significa aumentar o Estado à custa de todos para beneficiar uns poucos”, disse a deputada liberal, considerando que já em janeiro a IL “esteve sozinha do lado certo da história e das políticas públicas”.
Em resposta à deputada da IL, Joana Mortágua, do BE, afirmou que “só quem vê na democracia um gasto desnecessário, um gasto sem retorno, pode dizer que uma reforma democrática é um custo e que não podemos aumentar o número de freguesias porque isso sai caro ao país”.
No mesmo sentido, Inês Sousa Real, do PAN, discordou “da visão daqueles que acham que [a reposição] traz um encargo para o erário público”.
“Mas, mesmo que o trouxesse, a democracia tem os seus custos e deve ser acarinhada por todas e por todos, em particular quando a mesma parte daquilo que é a base local”, afirmou.
O Livre “discorda das razões subjacentes ao veto do Presidente da República” e adiantou que irá reconfirmar o diploma, por considerar que a reforma de 2013 “teve pouco em consideração as realidades” locais, muito embora as juntas de freguesia e os autarcas sejam “o primeiro garante da confiança dos cidadãos no poder político e nos seus representantes”, disse o deputado Paulo Muacho.
O deputado comunista Alfredo Maia reiterou que o PCP irá confirmar o seu “compromisso com todas as freguesias que desejam de ser repostas e assim o decidiram”.
Apesar de entender que “a lei que esteve na génese deste processo é uma lei errada”, o CDS-PP também irá confirma a reposição de freguesias, porque, “a partir do momento em que a lei foi aprovada”, criou expectativas, requisitos e condições para a desagregação.
“Seria incompreensível […] tirar agora, no final do processo, a estas populações a possibilidade de concretizarem a sua ambição e a sua expectativa”, afirmou o deputado popular João Almeida.
O decreto hoje reapreciado desagrega 135 uniões de freguesias, repondo 302 destas autarquias locais, e foi subscrito por PSD, PS, BE, PCP, Livre e PAN, que votaram a favor do diploma em 17 de janeiro, juntamente com o CDS-PP, tendo os votos contra da IL e a abstenção do Chega.
O Presidente da República vetou o decreto em 12 de fevereiro, colocando dúvidas sobre a transparência do processo e a capacidade de aplicação do novo mapa a tempo das próximas eleições autárquicas, previstas para o final de setembro ou início de outubro.
De acordo com a Constituição, se o Parlamento reconfirmar um veto do Presidente da República por maioria absoluta dos deputados, o chefe de Estado terá de promulgar o diploma no prazo de oito dias a contar da data da sua receção.
As freguesias repostas foram quase todas agregadas em 135 uniões de freguesias, mas também existem casos da reposição de freguesias que tinham sido extintas e os seus territórios distribuídos por outras autarquias, como a de Brenha, na Figueira da Foz, e a de Bicos, em Odemira.
A reforma administrativa de 2013 reduziu 1.168 freguesias do continente, de 4.260 para as atuais 3.092, por imposição da ‘troika’.