“Deixou-nos hoje uma das personalidades mais visionárias e brilhantes da vida académica, cultural, política e social da resistência de inspiração católica dos anos 50, 60 e 70 do século passado: Nuno Portas”, pode ler-se numa nota publicada no ‘site’ da Presidência da República.
Para Marcelo Rebelo de Sousa, Nuno Portas “foi notável como arquiteto, como professor, como urbanista, como animador de movimentos artísticos, culturais em geral, cívicos, políticos e sociais”.
“Permaneceu assim desde a resistência à ditadura até às primeiras décadas da democracia”, considerou o chefe de Estado, lembrando a “personalidade visceralmente solitária” do arquiteto e urbanista.
Marcelo Rebelo de Sousa assinalou que Nuno Portas “dedicou-se à comunidade e deixou discípulos muito diversificados em todos os domínios em que foi excecional”.
Já a Ordem dos Arquitetos (OA) declarou “luto oficial” pela morte “de um dos seus mais consagrados membros”, Nuno Portas, “referência” dos urbanistas portugueses. “Qualquer palavra sobre o legado de Nuno Portas na história da arquitetura portuguesa é escassa perante a importância da obra que nos deixou”, lê-se no comunicado da OA.
A OA sublinha que Nuno Portas foi “um grande arquiteto [e] um magnífico professor” e considera que “importa celebrar a extraordinária vida de Nuno Portas como arquiteto, como o maior arquiteto-urbanista da história contemporânea, mas também como o político governante decisivo nas políticas de habitação do pós 25 de Abril [de 1974]2.
“Celebramos o Nuno Portas também como grande impulsionador da legislação em planeamento em Portugal”, salienta a OA que “endereça os pêsames à família, aos amigos e a todos os que partilharam uma vida muito preenchida com ele”.
A Ordem refere ainda que “Nuno Portas demonstrou preocupação constante com os direitos dos cidadãos à habitação digna e à cidade” e destaca o seu trabalho como secretário de Estado da Habitação e Urbanismo em 1974, época em que criou o Serviço de Apoio Ambulatório Local, “para responder a necessidades crónicas e urgentes, criadas por anos de ditadura. Manteve, ao longo de toda a sua obra e de toda a sua vida a acérrima defesa pelo direito à cidade”.
Fotografia | Egídio Santos/Universidade do Porto