«Assumo hoje, com profunda honra, sentido de responsabilidade e sincera humildade, o cargo de reitor da Universidade de Évora», afirmou Candeias na sua primeira intervenção pública enquanto responsável máximo da instituição, descrevendo-a como «uma história longa de pensamento, de liberdade, de criação e de serviço» e como «uma casa de Democracia».
O novo reitor deixou claro o princípio que orientará o seu mandato: «governar uma universidade é, antes de tudo, escutá-la». Perante a comunidade académica, garantiu que será «reitor de todas e de todos», sublinhando que «a Universidade é maior do que qualquer candidatura, maior do que qualquer equipa, maior do que qualquer circunstância». «Somos nós que servimos a instituição, não é a instituição que está ao nosso serviço».
Agradecendo a confiança recebida do Conselho Geral, Candeias reconheceu o trabalho de quem o antecedeu: «a história de uma universidade não se faz de ruturas, mas de continuidade, de aprendizagem, de correção e de coragem para abrir novos caminhos». «Recebo esta instituição com imenso respeito pelo que foi construído e com responsabilidade pelo que teremos de transformar», sublinhou, dirigindo agradecimentos expressos a todos os anteriores reitores e reitoras.
O novo reitor destacou ainda «a cumplicidade da equipa que comigo assume esta missão», descrevendo-a como «profundamente plural, ampla, competente, comprometida e preparada para servir».
Para António Candeias, a Universidade de Évora não pode limitar-se ao papel tradicional de ensino e investigação. «A nossa missão não se esgota na formação de diplomados, nem na produção de livros ou artigos científicos», afirmou, defendendo que cabe à instituição «formar cidadãos livres, críticos, responsáveis e socialmente comprometidos».
Por isso, foi explícito quanto ao modelo de universidade que quer edificar: «defendo uma UÉ pública, autónoma, responsável e de matriz não fundacional», declarou, apontando ainda que a instituição «tem condições únicas para afirmar o espírito integrador entre áreas — as ciências, as humanidades e as artes».
Na sua intervenção, dirigiu-se separadamente aos diferentes grupos da comunidade. Aos estudantes, reconheceu-os como «parte ativa desta comunidade». Aos docentes e investigadores, prometeu «criar condições para que o essencial — ensinar, investigar, orientar, criar, transferir e inovar — volte a ser central». Aos trabalhadores técnicos, administrativos e de gestão foi direto: «nenhuma Universidade existe sem o vosso trabalho».
A relação com o Alentejo foi um dos eixos centrais do discurso de tomada de posse. «A Universidade de Évora não pode ser espectadora. Tem de ser protagonista, porque o Alentejo sente muitos desses desafios de forma particularmente intensa», afirmou Candeias, acrescentando que «a investigação que fazemos tem de dialogar com a sociedade» e «chegar às políticas públicas, às empresas, às instituições, às comunidades».
O novo reitor comprometeu-se a «aprofundar a ligação à região, aos municípios, às empresas, incluindo o PACT, às instituições culturais, aos serviços públicos, às escolas, às unidades de saúde, às associações e às comunidades», garantindo que quer «uma UÉ mais presente, mais disponível, mais próxima e mais comprometida». Em matéria de internacionalização, declarou querer «uma Universidade global» que «atraia estudantes, docentes, investigadores e técnicos de todo o mundo».
Dirigindo-se aos presidentes das Comunidades Intermunicipais e à CCDR Alentejo, lançou um apelo direto: «sejam parte ativa neste projeto de transformação que pretende afirmar a Universidade e a Região. Contem connosco, porque ficam a saber, desde já, que a Universidade de Évora conta convosco».
Ao ministro da Educação, Ciência e Inovação, Candeias reservou «uma palavra clara sobre uma questão estrutural que condiciona o presente e o futuro das universidades públicas: o seu subfinanciamento crónico». E aos deputados da Assembleia da República pediu que «a defesa do ensino superior, da investigação científica e da inovação seja assumida como uma prioridade nacional, transversal e duradoura».
Já aos reitores das universidades portuguesas e aos presidentes dos institutos politécnicos deixou «uma palavra de compromisso e de apelo à unidade».
O discurso de tomada de posse terminou com um apelo à confiança e à participação ativa de toda a comunidade. «Hoje começa um novo ciclo. E quero que esse ciclo seja marcado por confiança», afirmou Candeias, lembrando que «a confiança não se decreta. Constrói-se. Constrói-se com trabalho, com verdade, com respeito e com responsabilidade».
«Por isso, não vos peço apenas apoio. Peço-vos compromisso, exigência e participação», concluiu.












