Abutre-preto regressa ao Alentejo com novos casais identificados na Vidigueira

Considerado extinto em Portugal na década de 70, o abutre-preto está de volta a vários pontos do território, incluindo a zona da Vidigueira, onde este ano foram identificados cerca de 12 casais e dois juvenis. Aníbal Fernandes (texto) e Bruno Berthemy (fotografia)

Os números agora divulgados pelo projeto LIFE Aegypius Return apontam para um ligeiro aumento da população da espécie nas colónias do Douro internacional, Tejo internacional e na Herdade da Contenda, no concelho de Moura.

Esta ação, iniciada em 2022, visa aumentar a população reprodutora da maior ave de rapina da Europa e inclui a identificação e marcação de crias, como aconteceu recentemente na região da Vidigueira.

De 44 casais e 20 crias observados em 2022, passou-se quase para o triplo, estimando-se a existência, este ano, de 56 crias e de entre 119 a 126 casais.

Há vários séculos esta era uma ave comum na Península Ibérica, mas ao longo do século XX o abutre preto, devido à perda do habitat, ao envenenamento ilegal e à perseguição direta, quase desapareceu.

Nos anos 70, em Portugal, a população reprodutora de abutre-preto extinguiu-se em Portugal e apenas cerca de 200 pares restavam em Espanha, em 1973.

No final dos anos 80 o número de abutres-pretos recupera em Espanha, muito devido à adoção de medidas de proteção legal. Já neste século, na primeira década, o abutre-preto regressou aos ceús de Portugal.

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