Acha que agosto foi quente? Prepare-se, vai piorar com as alterações climáticas

Ao longo dos próximos 15 anos a temperatura média no Alentejo irá subir dois graus centígrados (ºC), de acordo com as projeções da Sociedade Portuguesa de Inovação (SPI), que elaborou a Estratégia Regional de Adaptação às Alterações Climáticas.

Um aumento de dois graus até pode não parecer muito, mas estaremos já a falar de uma temperatura média na ordem dos 19 graus, face aos 17 atuais. O problema irá acentuar-se numa projeção a 25 anos (2041/2070), em que esse aumento poderá chegar aos 3,5ºC, sendo que lá para 2070 já a região estará confrontada com uma temperatura média cinco graus acima da atual, de acordo com o cenário “mais gravoso” traçado pela SPI.

Segundo o mesmo cenário, “para a temperatura máxima diária, as alterações projetadas apresentam um padrão semelhante ao verificado para a temperatura média diária, com anomalias mais acentuadas no verão relativamente ao inverno, atingindo no final do século incrementos superiores a 5°C no interior” da região.

Ou seja, são de esperar temperaturas máximas mais elevadas, sobretudo no verão, e noites mais amenas que as atuais, com uma subida de quatro graus na temperatura média.

Há ainda piores notícias. Atualmente, contam-se entre 60 a 100 dias por ano com temperaturas acima dos 30ºC (os chamados “dias quentes”, na terminologia usado no estudo), dos quais uma boa parte (entre 30 e 40 dias) com temperaturas acima dos 35ºC – os dias “muito quentes”.

Em consequência do já referido au- mento da temperatura média, os dias quentes irão aumentar (mais 20 ao longo dos próximos 15 anos, e entre 120 e 140 dias lá mais para o final do século). O número de dias muito quentes, como os vividos nas últimas semanas, irá aumentar de forma ain- da mais rápida, sendo que até 2041 os especialistas apontam para 50 a 60 dias por ano com temperaturas máximas acima dos 35ºC, no cenário mais otimista. O mais gravoso aponta já para uns três meses com temperaturas muito elevadas.

De acordo com as projeções da SPI, os dias muito quentes consecutivos tornar-se-ão muito mais frequentes, o mesmo sucedendo com as denominadas “ondas de calor”, em que temperatura máxima diária é superior em 5 °C ao valor médio climatológico durante pelo menos seis dias consecutivos. “Para todos os períodos e cenários futuros, as projeções são unânimes: um aumento generalizado do número de ondas de calor”, assinala o estudo.

Em termos práticos, nesta altura, “o número de ondas de calor por ano no Alentejo varia entre um e dois”, com uma duração média entre seis e sete dias, havendo registo histórico de 20 dias com temperaturas cinco graus superiores à média. As projeções climáticas apontam para “a multiplicação do número de ondas de calor de até 10 vezes por ano no cenário mais gravoso”, podendo durar quase dois meses, lá mais para final do século.

Quanto às noites tropicais, isto é, aos dias em que a temperatura mínima é superior a 20ºC, ocorrem atualmente entre 10 a 20, em média, no Alentejo; um pouco mais na Margem Esquerda do Guadiana. O que aí vem é um “aumento do número de noites tropicais, por mais, mais suave até 2040 (valores entre 10 e 40 noites para todos os cenários), mas acelerando a partir de 2041 e culminando localmente, para o cenário mais gravoso, numa projeção de mais de 100 dias por ano com temperatura mínima acima dos 20ºC.

Também em resultado das alterações climáticas, é de esperar “uma diminuição gradual do número de dias frios em todo o Alentejo” – não mais de dois meses com temperaturas mínimas abaixo dos sete graus.

Os peritos antecipam também “uma diminuição da precipitação e, consequentemente, uma ampliação das condições de seca ao longo do século XXI, culminando num decrés- cimo de precipitação de até – 40% no sudoeste alentejano segundo o pior cenário”, sendo que o decréscimo da precipitação será mais acentuado nos meses de verão e de outono.

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