Adeus a Eugénio Fonseca, «exemplo de cidadania e humanidade»

Eugénio Fonseca, presidente da Confederação Portuguesa de Voluntariado (CPV) e antigo presidente da Cáritas Portuguesa e da Cáritas Diocesana de Setúbal, morreu ontem, aos 69 anos, vítima de paragem cardiorrespiratória.

Nascido em 1957, em Setúbal, Eugénio Fonseca era licenciado em Ciências Religiosas pela Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa. Presidiu à direção da Cáritas Diocesana de Setúbal entre 1987 e 2016 e, em 1999, foi nomeado pela Conferência Episcopal Portuguesa presidente da Cáritas Portuguesa a nível nacional, cargo que ocupou até 2020. Mais recentemente, tinha assumido a presidência da Fundação D. Manuel Martins, instituição sediada em Setúbal.

O cardeal D. Américo Aguiar, bispo de Setúbal, manifestou-se «com profunda consternação» pela notícia do falecimento, numa publicação nas redes sociais.

Numa nota episcopal, a Diocese de Setúbal recorda «com profunda gratidão, a vida e o testemunho» de Eugénio Fonseca, destacando «a sua dedicação incansável aos mais pobres, frágeis e esquecidos». O texto sublinha ainda que o seu percurso ficou «marcado pelo serviço à Igreja e pela promoção de uma verdadeira cultura de solidariedade, proximidade e dignidade humana».

O cardeal recorda também o empenho de Eugénio Fonseca na preparação das comemorações do centenário do nascimento de D. Manuel Martins, primeiro bispo de Setúbal, uma efeméride que, segundo a nota, o antigo presidente da CPV «assumira com entusiasmo, dedicação e profundo sentido de missão».

O Presidente da República, António José Seguro, manifestou também «profundo pesar» pelo falecimento, recordando a passagem de Eugénio Fonseca pela Cáritas Portuguesa, pela Cáritas Diocesana de Setúbal e pela Fundação D. Manuel Martins.

Segundo o chefe de Estado, «em todas as funções que desempenhou, afirmou o valor da economia social, da participação cívica e de um trabalho persistente e de proximidade com as pessoas».

Seguro recorda ainda que, durante mais de quatro décadas, Eugénio Fonseca «contribuiu para transformar a solidariedade em ações concretas», deixando «um exemplo de cidadania exercida como responsabilidade perante os outros».

A Cáritas Portuguesa manifestou igualmente o seu «mais profundo pesar», destacando o «legado de dedicação ao serviço da Igreja através dos mais vulneráveis» deixado por Eugénio Fonseca.

Rita Valadas, atual presidente da Cáritas, afirma que «a sua dedicação e o seu contributo para o desenvolvimento e fortalecimento da rede Cáritas em Portugal deixam uma marca indelével que será recordada por beneficiários, voluntários e colaboradores».

A instituição sublinha ainda que Eugénio Fonseca assumiu «um papel de referência na missão da Cáritas», dedicando-se «à promoção da dignidade humana, à solidariedade e à construção de uma sociedade mais justa e inclusiva».

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