AFE admite que haverá mais jogos sem policiamento: já são quatro nesta época

A Associação de Futebol de Évora (AFE) confirma que já se disputaram quatro jogos sem policiamento esta época e admite que o número vai aumentar. A explicação está na falta de efetivos da Guarda Nacional Republicana (GNR), que não é legalmente obrigada a estar presente nas provas distritais, diz a AFE em respostas enviadas à Alentejo Ilustrado.

«Temos conhecimento de todos os constrangimentos», reconhece a associação, lembrando que «infelizmente ainda estamos no início» da época e que os jogos sem forças de segurança «serão mais com o decorrer [das provas], seguramente».

«O que foi informado aos clubes, por parte das forças [de segurança], nestes últimos jogos foi falta de efetivos», indica a AFE.

O problema não é novo. «Foram feitas reuniões com o Comando Territorial da GNR, no fim da época passada, pois o problema já existia na última época», explica a associação, adiantando que a questão «prende-se essencialmente com a (falta de) disponibilidade de efetivos e da não obrigatoriedade legal de policiamento nos escalões distritais».

Ou seja, frisa, «legalmente a instituição GNR não é obrigada a comparecer nos jogos distritais, ficando a sua presença condicionada pela disponibilidade de efetivos».

Segundo a AFE, «foram feitas reuniões com os clubes» e foi criado «um quadro regulamentar para os jogos em que as forças informem que não estarão presentes», com a definição dos «procedimentos que os clubes devem seguir», semelhantes aos da época anterior. Um quadro que, garante, «foi regulamentado há meses».

A associação admite que, «neste momento, para um clube, será menos oneroso a falta de presença da força de segurança», uma vez que «não paga o policiamento». Mas, sublinha, «como os riscos são superiores, a AFE só o permite quando essa ausência da autoridade seja devidamente fundamentada».

Na quinta-feira, em declarações à Alentejo Ilustrado, Luís Francisco, candidato à presidência da AFE, alertou para os riscos de jogos sem policiamento, apontando como um dos motivos alegados para algumas recusas «um eventual atraso no pagamento de serviços remunerados prestados por militares» da GNR.

Questionada sobre essa matéria, a AFE diz não ter resposta. «Não temos forma de saber, pois os efetivos são pagos pelo Ministério da Administração Interna», refere, acrescentando que «só o MAI, ou a GNR, poderá responder a essa pergunta».

Quanto à formação dos pontos de contacto para a segurança — pessoas designadas pelo clube que organiza o jogo para acompanhar as condições de segurança em que este decorre —, que o candidato defende que seja gratuita para os clubes, a Associação de Futebol de Évora indica que as ações realizadas «custaram e custam o preço simbólico» de 10 euros, valor da última formação.

A formação, explica, «habilita os candidatos a exercerem a função nas provas da associação, que são provas onde temos jurisdição», acrescentando que «o modelo já se aplica ao futebol sénior».

Fotografia meramente ilustrativa.

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