AGENDA CULTURAL – terça-feira, 1 de setembro

As fotografias que Fernando Lemos realizou entre 1949 e 1952, no auge da experiência surrealista portuguesa, estão patentes no Centro de Arte e Cultura da Fundação Eugénio de Almeida, em Évora, e são o destaque da agenda cultural desta terça-feira.

DESTAQUE

«Fernando Lemos: luz do olhar»
Centro de Arte e Cultura da Fundação Eugénio de Almeida, Évora
Patente desde 28 de março, permanece até 8 de novembro.

A mostra integra as comemorações do centenário do nascimento de Fernando Lemos (Lisboa, 3 de maio de 1926 – São Paulo, 17 de dezembro de 2019), que a curadora Marlene Oliveira descreve como uma «figura incontornável da Arte Portuguesa do Século XX, cuja obra atravessa fronteiras geográficas, linguagens artísticas e campos de pensamento». O próprio artista sintetizou o seu percurso de forma irónica: «Mais um português à procura de coisa melhor».

Numa enumeração que a curadora recupera, Fernando Lemos apresentava-se como tendo sido «estudante, serralheiro, marceneiro, estofador, impressor de litografia, desenhador, publicitário, professor, pintor, fotógrafo, tocador de gaita, emigrante, exilado, diretor de museu, assessor de ministros, pesquisador, jornalista, poeta», acrescentando ter «duas pátrias, uma que me fez e outra que ajudo a fazer».

Reunindo exclusivamente fotografias produzidas num intervalo de tempo curto mas intenso, a exposição apresenta, segundo Marlene Oliveira, «um dos núcleos mais singulares da fotografia portuguesa do Século XX e um momento central da experiência surrealista em Portugal».

Realizadas num contexto de forte inquietação artística, política e existencial, estas imagens «não são meros registos nem exercícios formais, mas construções mentais, encenações do inconsciente e do desejo, lugares onde a luz e a sombra se tornam instrumentos de pensamento», refere a curadora.

Próximas do automatismo surrealista mas nunca entregues ao acaso absoluto, resultam de «um equilíbrio subtil entre o impulso e o controlo, entre o inconsciente e a consciência crítica» — depois do primeiro gesto automático, sublinha, tanto a escrita como a fotografia passaram a ser dirigidas e programadas.

Os retratos, autorretratos e figuras do círculo de amizade do artista surgem como «presenças inquietantes, suspensas entre luz e sombra, revelação e ocultação»: «São imagens que não se limitam a ser vistas: olham-nos de volta, interrogam-nos, colocam-nos numa relação direta e perturbadora com o real».

Este núcleo fotográfico desenvolveu-se em paralelo com a participação de Fernando Lemos no movimento surrealista português, no período que antecedeu a exposição de 1952 com Vespeira e Azevedo, na Casa Jalco, e a partida para o Brasil, em 1953.

Nesse contexto, explica a curadora, a fotografia afirmou-se como «um campo privilegiado de resistência e de liberdade, capaz de subverter os códigos da representação e de reabilitar a realidade», no sentido defendido por Mário Cesariny. Breve no tempo, o conjunto viria a marcar de forma duradoura a leitura da obra do artista e a sua inscrição na história da arte moderna e contemporânea.

Marlene Oliveira lembra que o próprio Fernando Lemos escreveu ser «uma gota de água que se recusou ao dilúvio» e conclui que a homenagem conjunta da Fundação Eugénio de Almeida e da Fundação Cupertino de Miranda se justifica porque «viver é ser lembrado» e estas imagens «continuam, hoje, a olhar-nos com a mesma intensidade e urgência».

CINEMA

«A Odisseia»
Évora Plaza, Évora
Estreada a 31 de agosto, mantém-se em cartaz até amanhã, com sessão às 20h50.

«Harry Potter e a Pedra Filosofal»
Évora Plaza, Évora
Em exibição até amanhã, com sessões às 12h30, 15h40, 18h45 e 21h50.

«Homem-Aranha – Um Novo Dia»
Évora Plaza, Évora
Em exibição até amanhã, com sessões às 12h20, 15h50, 18h40 e 21h45.

«Insidious – O Longínquo»
Évora Plaza, Évora
Em exibição até amanhã, com sessão às 21h00.

«Mutiny – Código Vingança»
Évora Plaza, Évora
Em exibição até amanhã, com sessão às 21h20.

«Na Companhia das Estrelas»
Évora Plaza, Évora
Em exibição até amanhã, com sessões às 13h00, 16h00, 18h30 e 21h30.


EXPOSIÇÕES

PORTALEGRE

«25 anos, 25 artistas»
Museu da Tapeçaria Guy Fino, Portalegre
Patente desde 14 de julho, integra as comemorações do museu e fica aberta até 30 de setembro.
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«Figueiredo Sobral – A Relação Poética entre a Arte e a Arquitetura»
Museu da Tapeçaria Guy Fino, Portalegre
Também inaugurada a 14 de julho, pode ser visitada até 30 de setembro.
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ÉVORA

«India»
Palácio dos Duques de Cadaval, Évora
Patente desde 16 de agosto, a mostra permanece aberta até 25 de outubro.
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«A Febre das Palavras», de Sara Sabichão
Biblioteca Pública de Évora, Évora
Inaugurada a 16 de julho, pode ser visitada até 19 de setembro.
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BARRANCOS

«Alma Exposta – Fragmentos de uma Identidade», de Kiko Bergano
Centro Interpretativo do Barranquenho, Barrancos
Patente desde 24 de agosto, a mostra fotográfica pode ser visitada até 27 de setembro.
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SINES

«Chuva de Verão» — obras da Coleção de Arte Contemporânea do Estado
Centro de Exposições do Centro de Artes de Sines, Sines
Aberta desde 11 de julho, prolonga-se até 17 de outubro.

ELVAS

«Ecos da Figura Interna», de Alexandre Estrela
Museu de Arte Contemporânea de Elvas, Elvas
Aberta ao público desde 4 de julho, prolonga-se até 4 de outubro.

SERPA

«O Carrossel da Cor», de Bento Sargento
Galeria de Arte Contemporânea, Serpa
Patente desde 20 de junho, entra nos últimos dias: encerra a 5 de setembro.

REGUENGOS DE MONSARAZ

Prémio Internacional de Fotografia «Santiago Castelo»
Igreja de Santiago, Monsaraz, Reguengos de Monsaraz
As obras finalistas estão patentes desde 16 de agosto e podem ser vistas até 13 de setembro.
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