Agenda de 55,7 milhões impulsiona inovação no sector da pedra natural

O Laboratório Hercules da Universidade de Évora (UÉ) é um dos lideres da agenda Sustainable Stone by Portugal, “um marco na inovação e sustentabilidade do sector da pedra natural”, financiado em 55, milhões de euros pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). Entre as 52 entidades parceiras deste consórcio nacional, o centro de investigação coordena a frente dedicada à proteção e valorização da pedra, articulando ciência, património e tecnologia de ponta.

Esta agenda estabelece objetivos ambiciosos: aumentar as exportações e o valor acrescentado da pedra portuguesa, reduzir desperdícios em toda a cadeia de produção, desenvolver processos mais limpos e eficientes, e diminuir de forma significativa o impacto ambiental. A meta final é reposicionar o sector da pedra natural “como motor de sustentabilidade, inovação e desenvolvimento económico”, reforçando simultaneamente a competitividade das empresas nacionais.

“Trabalhamos para que a investigação científica contribua para a valorização de um produto de construção, procurando ajudar as empresas a aumentar a sua competitividade”, afirma José Mirão, professor do Departamento de Geociências da UÉ, investigador do Laboratório Hercules e coordenador da agenda.

Fonte universitária refere que o projeto “atua numa lógica de cadeia de valor integrada e sustentável”, promovendo tecnologias e produtos inovadores, soluções robóticas, processos de digitalização e métodos mais sustentáveis de extração, produção e aplicação. Um dos principais focos está na proteção do material, essencial para prolongar a sua vida útil e reforçar o valor económico e patrimonial.

“A ciência consegue trazer para a arte estruturas impermeabilizantes, que protegem os nossos monumentos da água que tanto os impacta a nível estrutural”, refere, por sua vez, Pedro Barrulas, professor do Departamento de Química e Bioquímica da UE e investigador do Hercules. Para responder a este desafio, a equipa tem vindo a desenvolver revestimentos “inovadores e ambientalmente responsáveis”, que funcionam como uma película protetora sem comprometer a respirabilidade da pedra. 

“Criámos árvores-moleculares que, à escala nanométrica, atuam com um guarda-chuva molecular que impede a penetração da água no material e que simultaneamente permite que o mesmo respire ao longo do tempo”, acrescenta o investigador.

A antecipação dos fenómenos de degradação é igualmente uma prioridade, com o uso de câmaras climáticas e testes de envelhecimento acelerado que simulam, em laboratório, condições extremas a que a pedra pode estar exposta durante décadas. “Essa antecipação e proteção é feita através de câmaras climáticas e de ‘aging tests’, que nos permitem avaliar de forma mais rápida os potenciais pontos de falha”, sublinha Fábio Sitzia, investigador do Laboratório Hérculoe.

Para Marta Peres, diretora executiva da Associação Cluster Portugal Mineral Resources, a agenda Sustainable Stone by Portugal tem uma dimensão sem precedentes. “É uma agenda verde no âmbito do PRR, e é também o maior projeto alguma vez feito em pedra natural, onde se alia tecnologia e conhecimento em torno de 52 parceiros. Dentro deste grupo apresentamos 29 novas soluções para a pedra natural”. A responsável salienta ainda a vantagem competitiva do país neste sector: “há poucos países que tenham uma diversidade geológica de pedra natural tão grande como Portugal e que a saibam trabalhar de forma tão inovadora”.

“A pedra, como material de construção, comparada com o betão, torna-se uma opção verde, com um impacto muito menor no ambiente”, lembra José Mirão, enquanto Pedro Barrulas reforça a importância da preservação: “ambicionamos travar a transformação do material pétreo com soluções que permitam proteger não só a estrutura física do material como também a sua aparência estética, valorizando, assim, não apenas a matéria-prima em si, mas também o nosso património, que todos queremos preservar para as gerações futuras”.

Texto: Alentejo Ilustrado | Fotografia: Arquivo/D.R.

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