Agricultores de Serpa organizam marcha lenta contra acordo UE/Mercosul

Produtores agropecuários do concelho de Serpa promovem esta sexta-feira uma marcha lenta de tratores para contestar o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul e a proposta de reforma da Política Agrícola Comum.

Organizado pela Associação de Produtores do Concelho de Serpa, o protesto arranca com uma concentração em Vila Nova de São Bento, seguindo-se uma marcha lenta de tratores pela Estrada Nacional 260 (EN260), até à ponte sobre o Rio Guadiana, terminando o percurso no Parque de Feiras e Exposições de Serpa.

De acordo com o presidente da associação, João Revez, os produtores agropecuários estão insatisfeitos e querem demonstrá-lo com a adesão à ação, estimando a presença de, “no mínimo, 50 tratores” na coluna que vai compor a marcha lenta.

Além dos tratores, a iniciativa vai contar com “outros veículos, como carrinhas”, e com “pelo menos cerca de 100 produtores, essencialmente, do concelho de Serpa”, mas também de outros concelhos do distrito.

João Revez admite que o acordo entre a União Europeia (UE) e o Mercosul até “pode ser positivo para alguns” sectores da agricultura, mas alegou que “não vai ser positivo para todos e a agricultura tem que ser vista globalmente”. Segundo refere, “a maior área onde se desenvolve a agricultura ainda é a agropecuária extensiva e de sequeiro na nossa região e essa vai ficar amplamente prejudicada por este acordo”.

O dirigente agrícola diz que com a entrada em vigor das novas regras, haverá “uma concorrência desleal e, logo, um desequilíbrio”, porque “a forma como a produção é feita na América do Sul é diferente” da que é desenvolvida pelos produtores europeus, que “está sujeita a regras”.

“Dizem que vão poder fiscalizar, mas a fiscalização não vai ser efetiva em cada carregamento”, sublinha João Revez, exemplificando ainda que, em relação às cláusulas de salvaguarda, “se acontecer como no caso do arroz em 2018-2019, só foram aplicadas quando o preço do arroz já tinha descido para valores incomportáveis para os produtores”.

Em causa esta igualmente a atual proposta para a reforma da Política Agrícola Comum (PAC), sobretudo o “corte à volta de 20% dos apoios diretos” em relação aos do quadro anterior. “E, se atendermos à inflação, no período entre 2028 e 2034, que vai ser o período de duração da próxima PAC, vamos ter uma perda de rendimento na ordem dos 30%”, critica João Revez.

Segundo o programa do protesto, a marcha lenta deverá chegar ao Parque de Feiras e Exposições de Serpa, às 13h00, estando a desmobilização prevista para as 17h00. O acordo comercial entre a UE e o Mercosul foi assinado este mês, na capital do Paraguai, após 25 anos de negociação.

Porém, ainda não está em vigor e, na quarta-feira, o Parlamento Europeu decidiu remeter este acordo ao Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE) para verificar se é compatível com os tratados comunitários.

O acordo permitirá eliminar tarifas para 91% das exportações da UE para o Mercosul e para 92% das vendas sul-americanas para a Europa, abrindo um mercado conjunto de mais de 700 milhões de consumidores.

Texto: Alentejo Ilustrado/Lusa | Fotografia: D.R.

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