«Viemos apresentar as dificuldades que vive a agropecuária extensiva no nosso concelho», disse o presidente da Associação de Produtores da Região de Serpa, João Revez.
Após uma reunião em Évora com Helena Cavaco, vice-presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Alentejo para a Agricultura, João Revez, acompanhado pelo vice-presidente da associação, António Diogo Morgado, lembrou que «a agropecuária extensiva ainda ocupa a maior parte» daquele território na margem esquerda do Guadiana.
«E viemos dar a conhecer as principais preocupações e problemas com que se debate o setor», nomeadamente a questão do aumento «do preço dos combustíveis».
Segundo o presidente da Associação, a agropecuária extensiva naquela zona enfrenta «um estado de rutura» e a «escalada dramática» do preço do gasóleo agrícola é um dos problemas.
«Há uma diferença de 32 cêntimos entre o gasóleo agrícola em Portugal e o gasóleo agrícola em Espanha», apontou, referindo não conhecer ainda «em que moldes vai funcionar o desconto de 10%» indicado pelo Governo, mas com a certeza de que esse valor «é manifestamente insuficiente». O dirigente exemplificou que «o preço do gasóleo agrícola em Portugal e do gasóleo rodoviário em Espanha têm o mesmo valor, neste momento».
Também o aumento do preço de adubos e fertilizantes foi outro problema apresentado pela associação à vice-presidente da CCDR. Os dirigentes referiram que, «desde o início da guerra no Irão e da situação da subida do preço do gasóleo, o preço dos adubos aumentou três vezes consecutivas, no espaço de um mês».
Além disso, afirmaram ter abordado «a teia burocrática» com que se debatem «cada vez que [querem] fazer algum investimento» e as «preocupações com as negociações da nova reforma da Política Agrícola Comum (PAC)».
«E continuamos a ‘bater’ em cima dos acordos com o Mercosul e também com a Austrália. Se o acordo com o Mercosul era nefasto para os bovinos, agora o acordo com a Austrália vai ser nefasto para os bovinos e para os ovinos», argumentou João Revez.
Em declarações à agência Lusa, a vice-presidente da CCDR Helena Cavaco disse ter ouvido «muito atentamente as preocupações relativamente à pecuária extensiva e à agricultura de sequeiro» manifestadas pela associação, reconhecendo o «papel muito importante» do setor.
«Não nos podemos esquecer que a maioria do nosso território é ocupado por agricultura de sequeiro, que tem um papel fundamental em termos de coesão do território, em termos de criação de emprego, de fixação de população», referiu.
Helena Cavaco confirmou que foi feito o convite pela associação para uma visita do ministro da Agricultura àquele território alentejano e que a CCDR do Alentejo «vai fazer chegar estas preocupações ao ministério» tutelado por José Manuel Fernandes.












