A mostra foi inaugurada a 4 de setembro, pelas 18h00, e reúne trabalhos de José Augusto Costa Araújo, artista plástico autodidata que fez de Évora a sua casa e do Alentejo um dos seus temas maiores.
A exposição «pretende proporcionar ao público uma oportunidade de conhecer e apreciar o trabalho de Costa Araújo, valorizando a sua expressão artística, a sua sensibilidade e o contributo da sua obra para a cultura e para a comunidade», refere Luís de Matos, presidente da Alentejo Total.
Nascido em Braga a 10 de agosto de 1947 e falecido na mesma cidade a 23 de abril de 2019, Costa Araújo viveu em Luanda, no Rio de Janeiro e no Recife antes de se fixar em Évora. Fez pintura, desenho, escultura, cerâmica e azulejaria, cruzando temas históricos e marítimos com a identidade e a memória.
Em Évora fundou duas empresas de publicidade, uma delas com o artista plástico Joaquim Tavares, participou na organização dos Carnavais da cidade, no início da década de 80, e colaborou durante anos com a Escola Profissional da Região Alentejo, como responsável do departamento de artes gráficas e design e formador de pintura, cerâmica e azulejo no polo de Estremoz.
As ceifeiras são talvez a imagem mais reconhecível da sua obra alentejana: mulheres de traço suave, quase sempre de chapéu com espiga e papoila e lenço colorido, recortadas na seara e na planície. A chaminé e os beirados, a olaria e o cante completam um Alentejo que pintou, como escreveu a Alentejo Ilustrado no perfil que lhe dedicou, «como se aqui tivesse nascido e, daqui, nunca tivesse partido».
Para a ocasião, Maria Antonieta Matos escreveu o poema «Recordar Costa Araújo», que evoca o artista e o amigo: «Hoje é dia de recordar, / a arte e o homem, / o riso e a obra». E termina na certeza de que o pintor «continuará presente — / a sorrir nas telas, / a viver na memória».
Fotografia documenta a inauguração da exposição. © Maria Antonieta de Matos/Direitos Reservados











2 Responses
Recomendo vivamente uma visita a exposição.
Obrigada, Alentejo Ilustrado, por se juntar a nós e por dar voz e visibilidade a esta homenagem tão especial a Costa Araújo.
É uma enorme alegria podermos partilhar a sua obra, a sua sensibilidade e a forma única como retratou o Alentejo, mantendo viva a sua memória através da arte.
Muito obrigada pela divulgação e por ajudarem a levar esta iniciativa mais longe!
Este foi o poema lido no dia da inauguração:
RECORDAR COSTA ARAÚJO
Hoje é dia de recordar,
a arte e o homem,
o riso e a obra,
nos quadros e nas telas
onde a vida ganhou cor
e a alma encontrou forma.
Costa Araújo —
nome que o tempo não apaga,
porque há homens que permanecem
naquilo que criaram,
no olhar de quem contempla,
no sorriso de quem se lembra.
Hoje recordamos o artista,
mas também o amigo,
o homem de riso aberto,
de presença viva,
que soube deixar em cada tela
um pouco da sua luz.
Que falem os quadros,
que falem as cores,
nelas vive ainda o gesto,
a paixão,
a inquietação,
e esse jeito tão seu
de transformar o mundo em arte.
que falem as telas silenciosas,
Hoje é dia de memória,
mas não de tristeza.
Porque recordar Costa Araújo
é voltar a vê-lo,
de algum modo,
entre as cores que deixou,
entre as obras que permanecem,
entre nós.
E enquanto houver olhos
para contemplar a sua arte,
e corações para guardar o homem,
Costa Araújo continuará presente —
a sorrir nas telas,
a viver na memória,
a pintar, para sempre,
a sua própria eternidade.
Alandroal, 04-08-2026, Maria Antonieta Matos,