Alandroal expõe «Cores da Memória», homenagem ao artista Costa Araújo

Está patente até 14 de outubro, no Fórum Cultural Transfronteiriço de Alandroal, a exposição «Cores da Memória», de homenagem à obra do artista plástico Costa Araújo, uma iniciativa da Alentejo Total - Associação de Desenvolvimento Sustentável.

A mostra foi inaugurada a 4 de setembro, pelas 18h00, e reúne trabalhos de José Augusto Costa Araújo, artista plástico autodidata que fez de Évora a sua casa e do Alentejo um dos seus temas maiores.

A exposição «pretende proporcionar ao público uma oportunidade de conhecer e apreciar o trabalho de Costa Araújo, valorizando a sua expressão artística, a sua sensibilidade e o contributo da sua obra para a cultura e para a comunidade», refere Luís de Matos, presidente da Alentejo Total.

Nascido em Braga a 10 de agosto de 1947 e falecido na mesma cidade a 23 de abril de 2019, Costa Araújo viveu em Luanda, no Rio de Janeiro e no Recife antes de se fixar em Évora. Fez pintura, desenho, escultura, cerâmica e azulejaria, cruzando temas históricos e marítimos com a identidade e a memória.

Em Évora fundou duas empresas de publicidade, uma delas com o artista plástico Joaquim Tavares, participou na organização dos Carnavais da cidade, no início da década de 80, e colaborou durante anos com a Escola Profissional da Região Alentejo, como responsável do departamento de artes gráficas e design e formador de pintura, cerâmica e azulejo no polo de Estremoz.

As ceifeiras são talvez a imagem mais reconhecível da sua obra alentejana: mulheres de traço suave, quase sempre de chapéu com espiga e papoila e lenço colorido, recortadas na seara e na planície. A chaminé e os beirados, a olaria e o cante completam um Alentejo que pintou, como escreveu a Alentejo Ilustrado no perfil que lhe dedicou, «como se aqui tivesse nascido e, daqui, nunca tivesse partido».

Para a ocasião, Maria Antonieta Matos escreveu o poema «Recordar Costa Araújo», que evoca o artista e o amigo: «Hoje é dia de recordar, / a arte e o homem, / o riso e a obra». E termina na certeza de que o pintor «continuará presente — / a sorrir nas telas, / a viver na memória».

Fotografia documenta a inauguração da exposição. © Maria Antonieta de Matos/Direitos Reservados

2 Responses

  1. Obrigada, Alentejo Ilustrado, por se juntar a nós e por dar voz e visibilidade a esta homenagem tão especial a Costa Araújo.
    É uma enorme alegria podermos partilhar a sua obra, a sua sensibilidade e a forma única como retratou o Alentejo, mantendo viva a sua memória através da arte.
    Muito obrigada pela divulgação e por ajudarem a levar esta iniciativa mais longe!

    Este foi o poema lido no dia da inauguração:
    RECORDAR COSTA ARAÚJO

    Hoje é dia de recordar,
    a arte e o homem,
    o riso e a obra,
    nos quadros e nas telas
    onde a vida ganhou cor
    e a alma encontrou forma.
    Costa Araújo —
    nome que o tempo não apaga,
    porque há homens que permanecem
    naquilo que criaram,
    no olhar de quem contempla,
    no sorriso de quem se lembra.
    Hoje recordamos o artista,
    mas também o amigo,
    o homem de riso aberto,
    de presença viva,
    que soube deixar em cada tela
    um pouco da sua luz.
    Que falem os quadros,
    que falem as cores,
    nelas vive ainda o gesto,
    a paixão,
    a inquietação,
    e esse jeito tão seu
    de transformar o mundo em arte.
    que falem as telas silenciosas,
    Hoje é dia de memória,
    mas não de tristeza.
    Porque recordar Costa Araújo
    é voltar a vê-lo,
    de algum modo,
    entre as cores que deixou,
    entre as obras que permanecem,
    entre nós.
    E enquanto houver olhos
    para contemplar a sua arte,
    e corações para guardar o homem,
    Costa Araújo continuará presente —
    a sorrir nas telas,
    a viver na memória,
    a pintar, para sempre,
    a sua própria eternidade.

    Alandroal, 04-08-2026, Maria Antonieta Matos,

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