Alcácer instala contentores para alojar 17 famílias afetadas pelas cheias

A Câmara de Alcácer do Sal está a instalar 17 monoblocos na Herdade da Barrosinha para realojar temporariamente os agregados familiares cujas habitações foram inundadas pelas recentes cheias do rio Sado. As estruturas vão acolher as famílias enquanto decorrem as obras de reabilitação das casas, permitindo que permaneçam na zona onde sempre viveram.

De acordo com a presidente da Câmara, Clarisse Campos, os contentores começaram a ser instalados na sexta-feira na Herdade da Barrosinha. “Os serviços camarários, em colaboração com a empresa, fizeram o desenho, arranjámos um particular que é empreiteiro e que foi fazer as ligações das águas e esgotos e, neste momento, já estamos a instalar os contentores”, revela.

Segundo Clarisse Campos, o projeto foi uma ideia sua, mas só avançou graças à colaboração com a secretária de Estado da Habitação, Patrícia Gonçalves Costa, e o Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU). No total, até final da próxima semana, vão ser instalados na antiga herdade agrícola da Barrosinha 14 contentores de tipologia T1 e três de tipologia T2, assim como um monobloco para servir como “lavandaria comunitária”.

Os monoblocos vão servir para o alojamento temporário dos 17 agregados familiares que vivem em casas nesta herdade, onde também funciona um complexo hoteleiro, que ficaram inundadas devido à subida do nível do Rio Sado.

“Estes agregados familiares estão, desde o dia 04 deste mês, no Hotel da Barrosinha, na sequência das inundações das suas habitações”, diz Clarisse Campos, revelando que foi formada com a Segurança Social e, depois, com a Cruz Vermelha, uma Zona de Concentração e Apoio à População (ZCAP) naquele espaço, tendo a autarquia constatado que “a maior parte das pessoas é idosa e tem muita resistência em sair da Barrosinha”.

“Numa reunião, saí de lá muito angustiada, porque não tinha habitações para eles ficarem na Barrosinha e também não podiam continuar no hotel. Mas a secretária de estado da Habitação ligou-me, como que por artes mágicas, e expus esta ideia dos contentores e ela achou que era ótima ideia”, conta a presidente.

Por isso, “enquanto as casas das pessoas estiverem a ser reabilitadas”, elas vão viver nesta “pequena aldeia” de monoblocos, que estão a ser organizados no local de modo a preservar as relações de vizinhança que já existiam nas casas das pessoas. “Quando as suas casas forem reabilitadas, os contentores saem e cada uma volta para a sua habitação”, explica a autarca, sublinhando que cada contentor já vem com cozinha equipada com eletrodomésticos e vai ser mobilado com móveis que foram doados, sendo que todo este equipamento, no final, será pertença das pessoas.

“Também temos roupa de cama, temos tudo o que foi doado. Vamos colocar à disposição das pessoas e, depois, é entregar as chaves e abrir as portas e cada um ocupar o seu espaço”, assegura.

Quando as suas casas ficaram inundadas, estes 17 agregados familiares, formados por pessoas que sempre viveram nesta antiga casa agrícola ou que são arrendatários mais recentes, “foram salvos pelas equipas do hotel”, refere Clarisse Campos, lembrando que a Barrosinha ficou sem acesso a Alcácer do Sal durante vários dias..

“O responsável do hotel foi alimentando estas pessoas e, só quando nos comunicaram que já não havia mais alimentos, é que fomos de barco levar alimentos a estas pessoas. Temos um agradecimento muito grande aos responsáveis do hotel”, conclui.

Texto: Alentejo Ilustrado | Fotografia: Município de Alcácer do Sal/D.R.

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