Aldo Passarinho promete IPBeja «mais aberto, participado e internacional»

Aldo Passarinho tomou posse ontem como presidente do Instituto Politécnico de Beja (IPBeja), comprometendo-se a liderar uma «governação de proximidade, de escuta e de responsabilidade partilhada» e a transformar a instituição num «campus expandido que cresce com o território».

Na cerimónia, o novo presidente disse assumir o cargo «com profundo sentido de responsabilidade, humildade institucional e grande esperança no futuro», sublinhando que «uma instituição de ensino superior não é apenas um conjunto de edifícios, laboratórios, regulamentos ou estatutos» mas «acima de tudo, uma comunidade humana».

Aldo Passarinho aproveitou a cerimónia para anunciar os nomes que vai propor ao Conselho Geral para as direções das quatro escolas do Politécnico: Rogério Ferrinho para a Escola Superior de Saúde; Paulo Paixão para a Escola Superior de Educação; Alexandra Tomás para a Escola Superior Agrária e Pires dos Reis para a Escola Superior de Tecnologia e Gestão.

O programa estratégico apresentado à comunidade académica intitula-se «IPBeja 2030: Um campus expandido que cresce com o território». Para o novo presidente, «o verdadeiro campus do IPBeja estende-se ao território» — às escolas, às empresas, às explorações agrícolas, aos hospitais, às autarquias, às associações e às comunidades locais. «Um campus expandido é um campus que cresce para fora de si próprio», afirmou, acrescentando que se trata de uma instituição que «leva conhecimento ao território» mas que «também aprende com o território».

O discurso identificou três prioridades para o mandato. A primeira é «reforçar a estabilidade institucional e a coesão interna», simplificando processos e modernizando procedimentos. A segunda é «a valorização das pessoas», com rejuvenescimento dos recursos humanos, valorização das carreiras e reconhecimento do mérito. A terceira é «o reforço da qualidade científica e da investigação aplicada», consolidando estruturas de investigação e reforçando a participação em redes internacionais.

Dirigindo-se diretamente aos estudantes, Aldo Passarinho foi assertivo: «O IPBeja existe por vossa causa». Prometeu reforçar a participação estudantil, apoiar o associativismo académico, combater o abandono e o insucesso e criar «um campus mais inclusivo, saudável e culturalmente dinâmico».

O novo presidente referiu-se também ao momento de revisão do Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior (RJIES), considerando que os próximos anos serão «decisivos para a redefinição do modelo institucional do ensino superior politécnico português» e que a eventual evolução para universidades politécnicas «não pode ser entendida apenas como uma mudança de designação», tendo de representar «um verdadeiro reforço da capacidade científica, da autonomia institucional, da qualidade académica e da valorização territorial das instituições».

O IPBeja «deve participar ativamente nesse debate nacional», disse, «sem complexos, sem subalternizações, mas também sem ilusões simplificadoras».

Aldo Passarinho evocou Baruch Espinosa — cujas origens familiares se encontram na Vidigueira, para enquadrar eticamente o seu mandato. O filósofo «defendia uma ética fundada na razão, na liberdade, na responsabilidade e na construção do bem comum», uma visão que, considerou o novo presidente, «possui hoje uma enorme atualidade para as instituições de ensino superior».

O compromisso ético do mandato passará por defender «uma instituição aberta ao pensamento crítico, baseada no diálogo, comprometida com a verdade científica» e «capaz de colocar o conhecimento ao serviço da emancipação humana e do desenvolvimento social».

Com o aniversário de 50 anos do IPBeja a quatro anos de distância, Aldo Passarinho considerou que este será «um ciclo institucional marcado simultaneamente pela memória e pela transformação». «Nada começa hoje», advertiu, reconhecendo a história e a identidade da instituição — mas assumindo igualmente «a responsabilidade de projetar» essa identidade «para o futuro». O discurso terminou com uma convicção declarada: «O futuro do Instituto Politécnico de Beja não se constrói apenas administrando o presente. Constrói-se imaginando o futuro».

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