Alentejo: 84% dos acidentes com veículos de duas rodas provocaram vítimas

A GNR registou 112 acidentes com veículos de duas rodas no primeiro semestre do ano nos distritos de Beja, Évora e Portalegre, 84% dos quais provocaram vítimas. Nos 94 acidentes com vítimas morreram três pessoas, 23 ficaram feridas com gravidade e 71 sofreram ferimentos ligeiros.

Estes dados não integram os acidentes nos municípios alentejanos do distrito de Setúbal, onde foram registados 340 acidentes nos primeiros seis meses do ano, 227 dos quais com vítimas — seis mortos, 36 feridos graves e 202 feridos ligeiros. É, aliás, o sexto distrito do país com mais acidentes desta natureza e um daqueles onde a GNR assinala «um impacto particularmente severo» quanto a vítimas mortais, a par de Santarém, Faro e Aveiro.

Nos três distritos exclusivamente alentejanos, o quadro é mais contido em volume, mas revela taxas de gravidade elevadas. Beja soma 49 acidentes, 41 dos quais com vítimas, e contabiliza um morto, oito feridos graves e 32 ligeiros. Évora regista 41 acidentes, 33 com vítimas, com um morto, cinco feridos graves e 28 feridos ligeiros.

Portalegre apresenta o menor número absoluto de ocorrências — 22 acidentes —, mas 20 tiveram vítimas, uma proporção de 91%, a mais alta da região. O distrito conta um morto e dez feridos graves, mais do que Beja e Évora, apesar de ter menos de metade dos acidentes de cada um deles.

Estes números inscrevem-se num balanço nacional de 3.673 acidentes com veículos de duas rodas no primeiro semestre de 2026, que resultaram em 3.044 vítimas. Perante estes dados, a GNR «alerta para a necessidade imperativa» dos condutores «adotarem regras defensivas de condução e proteger a integridade física de quem circula sobre duas rodas», sublinhando que «a maior presença de motociclos nas estradas nacionais durante o verão torna a convivência responsável e a atenção mútua fatores determinantes na prevenção de sinistros».

Do total nacional, 2.871 acidentes tiveram vítimas, das quais 2.650 feridos ligeiros, 342 feridos graves e 52 mortos. Sobre estas mortes, a Guarda considera tratar-se de «um custo humano inaceitável que reforça a necessidade imperativa de rigor, moderação e respeito pelas regras de segurança na estrada».

A análise da GNR identifica «padrões de risco bem definidos, que exigem uma reflexão aprofundada sobre os fatores humanos e contextuais associados a veículos de duas rodas». Um deles contraria a ideia comum de que o perigo está sobretudo nas vias rápidas: 78,8% dos acidentes com vítimas (2.263 ocorrências) acontecem dentro das localidades.

A explicação, segundo a Guarda, está em que «o tráfego intenso, os cruzamentos frequentes e a constante realização de manobras reduzem significativamente a margem de reação e amplificam o risco de colisão».

Outro padrão prende-se com a idade dos condutores. A GNR refere que «as camadas jovens continuam a ser as mais afetadas, com os condutores até aos 29 anos a concentrarem o maior número de vítimas, o que reforça a urgência de consolidar hábitos de condução defensiva desde o início da sua vivência rodoviária».

O terceiro fator é a cilindrada. Os motociclos acima de 125cc concentram 42,3% do total de acidentes e 42,5% das ocorrências com vítimas. A Guarda explica que «a maior potência, velocidade e capacidade de aceleração destes veículos reduzem significativamente o tempo de reação perante imprevistos, traduzindo-se numa elevada taxa de severidade, em que quase oito em cada 10 sinistros resultam em danos físicos para os ocupantes».

A GNR apela por isso a «uma partilha responsável da via pública, recomendando a adoção de uma condução defensiva e segura». Aos condutores de veículos ligeiros recomenda que verifiquem «cuidadosamente os ângulos mortos antes de qualquer manobra», sinalizem «atempadamente as mudanças de direção» e mantenham «uma distância de segurança adequada em relação aos motociclos».

Aos condutores de motociclos e ciclomotores, a Guarda aconselha que adotem «uma condução defensiva» e antecipem «o comportamento dos restantes utentes da via», utilizem sempre «equipamento de proteção adequado, incluindo capacete, vestuário e calçado apropriados, mesmo em dias de temperaturas elevadas», e redobrem «a atenção aos ângulos mortos dos veículos ligeiros».

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