De acordo com a associação, fecharam camas na região a Santa Casa da Misericórdia de Santiago do Cacém (26), a unidade da Cruz Vermelha Portuguesa em Estremoz (23), a da Santa Casa da Misericórdia de Odemira (16) e a Unidade Local de Saúde (ULS) do Alto Alentejo (10). Nos cinco anos anteriores, a única unidade encerrada no Alentejo tinha sido a da Associação de Solidariedade Social Futuro de Garvão.
A ANCC contabiliza à parte outras 10 camas do Instituto São João de Deus no Alentejo, cujo encerramento não foi possível confirmar por a instituição ter mudado de designação no mesmo período. Em 2026, só Lisboa e Vale do Tejo, com 147 camas encerradas, perdeu mais do que o Alentejo.
«Ao longo dos últimos anos temos alertado para as várias centenas de camas de cuidados continuados que têm vindo a encerrar devido ao subfinanciamento», afirma o presidente da ANCC, José Bourdain.
Entre 2021 e 2026 fecharam no país 749 camas, total que a associação eleva para 864 ao somar outras 115 abrangidas pela consolidação da rede.
O ano de 2026 «ainda não terminou» e já regista «um número recorde de camas encerradas»: 264 em 10 unidades, a que se somam 72 da consolidação da rede, num total de 336. Trata-se de «um número superior à soma total dos três últimos anos», o que, para José Bourdain, «confirma o estado limite» das unidades que a associação tem vindo a denunciar. O dirigente admite ainda que, nos próximos três meses, mais unidades possam fechar, «agravando ainda mais este número».
A ANCC lembra que, da meta inicial de 5.500 camas, o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) apenas contratualizou pouco mais de 2.500, «das quais algumas nunca chegaram a ser concretizadas, sendo fundamental que o Governo divulgue os números reais». A associação conclui que «um terço das camas criadas pelo PRR são anuladas por estes encerramentos».
«Gasta o país dezenas de milhões para criar camas novas e perde os milhões já investidos por deixar encerrar camas», critica José Bourdain.
Um estudo da Faculdade de Economia do Porto, divulgado o ano passado, concluiu que o financiamento dos cuidados continuados é «insuficiente para cobrir os custos reais» das instituições. Com base nas contas de 2024, apurou um défice de 11,81 euros por utente/dia nas unidades de longa duração e manutenção. A análise indica que os valores fixados pelo Estado para 2025 ficam abaixo dos custos em todas as tipologias avaliadas.
Para corrigir este desequilíbrio, o estudo propõe uma atualização anual dos valores pagos pelo Estado que considere a subida do salário mínimo e a inflação esperada. Recomenda ainda uma componente destinada a financiar investimentos em instalações e equipamentos. Os investigadores defendem a revisão das dotações de pessoal previstas na lei, por serem insuficientes para as necessidades das unidades.
Fotografia: © Jsme Mila/Pexels










