Para o SPZS, os resultados registados na região «não surgem por mero acaso nem se podem justificar por incapacidades intrínsecas das comunidades escolares». «São o reflexo direto de décadas de opções políticas e económicas desastrosas que abandonaram a escola pública e o território alentejano», acusa o sindicato, que associa esse abandono ao facto de, no Alentejo, «as taxas de risco de pobreza e de privação material» serem superiores à média nacional.
O PISA — Programa Internacional de Avaliação de Alunos, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) — avalia os conhecimentos e as competências de alunos de 15 anos em áreas como ciências, leitura e matemática.
Na edição de 2025 participaram mais de 760 mil alunos de 91 países e economias. Segundo o relatório nacional do Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação (EduQA), o Alentejo registou as pontuações médias mais baixas entre as regiões portuguesas: 427 pontos a leitura, face a uma média nacional de 462, 428 a matemática (460 no país) e 448 a ciências (482 no país).
Na leitura, a diferença de 35 pontos é considerada estatisticamente significativa. A amostra regional integrou 307 alunos de 10 escolas.
«A pretexto de uma pretensa racionalização administrativa e promovendo uma gestão escolar gestionária de cariz neoliberal, encerraram-se, ao longo das últimas décadas, centenas de escolas do 1.º ciclo do ensino básico», recorda o SPZS.
Segundo a estrutura sindical, esta opção «empurrou milhares de crianças para centros escolares megalómanos e distantes», havendo «por todo o Alentejo» um «elevado número de crianças e jovens que passam diariamente horas em transportes escolares, quando antes, com escolas de proximidade, tinham um melhor e mais atempado acompanhamento familiar».
«Este tempo roubado ao descanso, ao brincar e ao estudo em família penaliza diretamente as aprendizagens e destrói o bem-estar dos alunos», acrescenta.
O sindicato liga ainda a «degradação dos indicadores do PISA no Alentejo» ao contexto social de «uma região marcada por baixos rendimentos familiares, precariedade laboral e pela ausência crónica de serviços e infraestruturas básicas de apoio às populações».
«O encerramento das escolas de primeiro ciclo representou, em muitos locais, o golpe final na vida comunitária e, por conseguinte, uma verdadeira depressão cultural e isolamento social», sustenta o SPZS, para quem, «sem redes de apoio público e investimento educativo, a escola pública deixa de conseguir contrariar, por si só, as profundas assimetrias socioculturais do território».
Na origem dos resultados está também, segundo a mesma fonte, «a grave crise da profissão docente». «A região sofre com o envelhecimento acelerado do corpo docente, agravado por uma precariedade laboral persistente que afasta os jovens da profissão», explica o sindicato, referindo que os professores colocados longe de casa «praticamente não dispõem de apoios às deslocações ou à habitação, o que torna a fixação de quadros uma miragem e resulta na falta crónica de docentes durante vários momentos dos anos letivos». «Sem estabilidade do pessoal docente, quem mais sofre é a continuidade da aprendizagem dos alunos», conclui.
O SPZS, cuja área de intervenção abrange todo o Sul do país, garante que «os estudos e o trabalho realizado nesta área territorial mostram que os fracos resultados no PISA não são responsabilidade dos professores nem das famílias: são a fatura do desinvestimento do Estado».
Por isso, o sindicato exige «uma viragem política que traga o reforço dos apoios socioeducativos, a valorização e estabilização da carreira docente, e a garantia de que a educação no Alentejo seja um direito universal e não um privilégio condicionado pela geografia».










