Alexandre de Barahona lança hoje ‘thriller’ histórico “As Bruxas de Évora”

O jornalista Alexandre de Barahona lança esta segunda-feira, às 18h30, no Palácio de D. Manuel, em Évora, o livro “As Bruxas de Évora”, primeiro volume de uma trilogia centrada nos inquéritos do Marquês de Évora a uma série de crimes e homicídios ocorridos na cidade, cuja origem remonta ao século XVI e ao período da Inquisição. Luís Godinho (texto)

Trata-se do primeiro volume de uma trilogia literária que cruza investigação criminal contemporânea com acontecimentos históricos ocorridos em Évora no século XVI.

A obra será apresentada pela antropóloga Ana Paula Fitas e tem como pano de fundo uma sucessão de homicídios, cuja explicação conduz o leitor a um passado marcado pela instalação da Inquisição e pela fundação da Universidade do Espírito Santo.

Segundo Alexandre de Barahona, diretor-adjunto da Alentejo Ilustrado, trata-se de “um trabalho 100% alentejano, feito por Évora”. O autor sublinha que “todos os intervenientes, desde o escritor, ao autor das ilustrações (Eduardo Miranda), e à designer da capa (Vera Matos)”, são da região, acrescentando que o livro foi também impresso localmente, na Gráfica Eborense.

A narrativa parte de uma pergunta central que, nas palavras do autor, pode ser sintetizada da seguinte forma: “Resumindo 500 páginas, em 26 palavras: qual é a relação entre a maldição das bruxas queimadas na fogueira da Inquisição de Évora, e a série de sádicos homicídios ocorridos na cidade, hoje?”.

No entanto, o livro ultrapassa largamente esse ponto de partida. A obra assume a forma de uma viagem histórica e geográfica que ultrapassa os limites do Alentejo. “É uma viagem de Évora, a Arraiolos, Estremoz, Valverde, Lisboa e Sintra, também por terras de Fez, Ceuta e Alcácer Quibir, em Marrocos, até Sevilha e Madrid”, descreve, acrescentando que os leitores serão ainda conduzidos até “Constantinopla no Império Otomano, e daí para o centro da África negra, perto dos rios Senegal e Gâmbia, conhecida como a Costa dos Escravos”.

O fio condutor da narrativa é o Marquês de Évora, personagem central da trilogia. “O nosso guia é o Estanislau, Marquês de Évora, que está prestes a desvendar os crimes em série ocorridos na cidade alentejana”, explica o autor, sublinhando que se trata de um enredo em que “as origens e vidas entrelaçadas constituem um mistério que remonta ao século XVI”.

É nesse período que a ação recupera a chegada do Cardeal D. Henrique a Évora, quando veio “erguer a Universidade do Espírito Santo e organizar o mais temível Tribunal da Santa Inquisição de Portugal”.

O Marquês de Évora é apresentado como “o meu protagonista, criado há muito tempo”. Alexandre de Barahona descreve-o como “o Estanislau Arnaud, um eborense de gema que usa bengala por estilo e fuma cachimbo por ansiedade”. Ao longo da narrativa, o personagem conta com a ajuda de Leonor, “uma enigmática e sensual jornalista ruiva, surgida do nada de Lisboa”. “Coincidência?”, questiona.

A trama desenvolve-se num jogo de suspeitas e ambiguidades. “Depois a trama complica-se, e os caminhos libertinos por onde a jovem mulher o leva, podem ou não, estar ligados ao homicida”, refere o autor, colocando no centro da narrativa uma dúvida essencial: “A real questão é: estará o presente de Évora agrilhoado a ocorrências do passado?”.

A ação do livro decorre maioritariamente em Évora, estabelecendo “um paralelismo entre duas épocas diferentes, no século XXI e no século XVI”, num cruzamento entre ficção, história e memória urbana que coloca a cidade como protagonista central da narrativa.

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