Como surgiu o projeto?
Arrancámos a 1 de julho de 2024 e o grande objectivo desta empresa é trazer para o mercado um conjunto de projetos que vínhamos a desenvolver na Decsis, como investigação e desenvolvimento. Na altura, a gente nem lhe chamava investigação para não parecer uma coisa académica, mais inovação e desenvolvimento. Sendo que o projeto Alice teve toda a preponderância pelo investimento que tinha sido feito e também pela importância da sua missão. É um serviço que está no mercado desde o início de março deste ano. Formalmente já não fazemos parte da Decsis, mas foi aí que se criaram condições para que o Alice acontecesse.
Bom, e em que consiste esta aplicação?
Escolhemos como designação Alice4u para conseguir fazer o registo, só Alice não seria possível. É um acrónimo que quer dizer Aging Longer Intelligent Care Environment. O que é que é o Alice, então? Diria que tem duas componentes. É um serviço de monitorização remota de pessoas, sobretudo idosas e/ou dependentes de cuidados… diria que 99% dos nossos utentes são idosos, e alguns deles com graus de dependência bastante pronunciados por várias razões.
Neste caso, o que permite a monitorização remota?
Quer dizer que recebemos numa plataforma central informações sobre as pessoas, sobre o que está a acontecer. Através de um relógio. Na verdade, não se trata de um relógio, é um equipamento de comunicação. Tem um recetor GPS para nos dar a localização da pessoa, desde logo porque uma pessoa com demência, por exemplo, tem tendência a perder-se, a desorientar-se, e às vezes os filhos, os netos, ou até o marido ou a mulher não sabe onde a pessoa se encontra e tem de andar à procura. Através do Alice – e respeitando sempre os regulamentos de privacidade de dados – conseguimos localizar a pessoa.
Como é isso feito?
Cada utente tem, pelo menos, uma pessoa de referência, que pode ser o cônjuge, o filho, o neto… pode ser quem quiser. Essa pessoa é informada do que está a acontecer, sempre que existe algum alerta que implique tomar conta da ocorrência. Como, por exemplo, a pessoa sair do sítio de onde era suposto estar. Através do Alice não é possível saber onde é que essa pessoa andou, por onde andou. Sabemos que na última meia hora esteve num determinado sítio, mas não todo o histórico, e isto porque pode desorientar-se, perder-se. É a chamada geolocalização.
Pelo que li, tem também outras funcionalidades?
Olhe, os idosos têm tendência a perder a sensação de sede e em regiões como o Alentejo, durante os meses de verão, isso pode constituir um problema grave, há muitas idas à urgência hospitalar por desidratação. O Alice pode avisar várias vezes por dia para a necessidade de ingestão de água. O relógio vibra e aparece um copinho para lembrar à pessoa que é necessário beber água. Se bebe ou não, isso a gente não sabe, mas pelo menos lembramos. Também permite a deteção de quedas.
Como assim?
Se eu fizer um movimento que, para aquilo que é o meu padrão normal de mobilidade, indicia uma possível queda, o relógio emite um alerta. Emite um alerta para o nosso call center, e podemos ligar para aferir se houve algum problema. É um aparelho autossuficiente, não daqueles em que se clica num botão de emergência, depois alguém liga para um telemóvel que poderá estar noutro local e se a pessoa estiver caída, sem se conseguir mexer, não irá conseguir atender. No Alice, a pessoa pode sempre interagir com quem está a tentar cuidar, a resolver a situação.











