«Alimentos são muito mais importantes que as armas». Aí está a Feira da Luz

O presidente da Apormor - Associação de Produtores do Mundo Rural da Região de Montemor-o-Novo contrapôs a soberania alimentar ao rearmamento europeu, na apresentação da Feira da Luz e da Expomor 2026, que arrancam na próxima quarta-feira, em Montemor-o-Novo, com mais de 300 expositores e um investimento municipal estimado em cerca de 800 mil euros.

Ana Luísa Delgado (texto)

«Estamos num momento em que a soberania alimentar começa a ser reconhecida», afirmou Joaquim Capoulas durante a apresentação dos dois certames aos jornalistas. «A autonomia alimentar começa a ser reconhecida como questão de soberania, coisa que até há muito pouco tempo não era. A agricultura era tolerada.»

O responsável estabeleceu depois um contraste com a atual aposta no armamento. «Preocupam-se em arranjar armas, mas as armas… se os soldados não tiverem comida, não servem para nada, nada. E se as populações não tiverem, também não, revoltam-se logo. Portanto, os alimentos são muito mais importantes que o armamento.»

Joaquim Capoulas sublinhou ainda a posição de Montemor-o-Novo na produção pecuária. «Montemor tem o maior efetivo de bovinos e de ovinos», afirmou, acrescentando que o concelho tem «todas as aptidões» para ser aquilo que a associação designa como «Montemor-o-Novo, Capital Nacional da Pecuária Extensiva».

O presidente da Apormor comparou ainda o modelo da Expomor com o adotado noutros certames. «Nós aqui não precisamos de pagar nada para que eles venham, de todo o país», afirmou, referindo que, na FIAPE, em Estremoz, «é a própria Câmara Municipal que paga os transportes».

Carlos Pinto de Sá, presidente da Câmara Municipal de Montemor-o-Novo, recordou que o atual parque de feiras nasceu de uma negociação com a Apormor e que o certame foi inaugurado em 1997. «É uma parceria que tem andado de boas voltas, permitindo um salto qualitativo nestas áreas», afirmou.

O autarca destacou também a importância do leilão que se realiza todas as terças-feiras no parque de leilões de gado, estrutura que Joaquim Capoulas classificou como «o maior do país e o maior da Península Ibérica».

A edição deste ano deverá ultrapassar os 300 expositores, embora o número definitivo só fique fechado na quarta-feira. Quanto ao investimento municipal, Carlos Pinto de Sá estima que ronde os 800 mil euros.

«Eu diria que teremos um valor que deverá andar na ordem dos 800 mil euros», afirmou o presidente da Câmara, adiantando que será «um orçamento inferior ao do ano passado».

Parte do investimento está relacionada com a aquisição de expositores que, segundo o autarca, não ficarão exclusivamente afetos ao certame. «São expositores que vão ser utilizados pelo município para diversas exposições e para diversos outros eventos. Portanto, não podem ser vistos como, digamos, apenas da feira.»

Um dos pontos altos da programação será uma exposição dedicada aos 50 anos da Constituição da República Portuguesa, tema escolhido pelo município para marcar a atividade municipal ao longo de 2026.

«Entendemos que poderíamos valorizar essa importância da Constituição da República Portuguesa e, sobretudo, aquilo que a Constituição da República formalizou em termos de avanços económicos, sociais, políticos, estruturais, ambientais para o nosso país», explicou Pinto de Sá.

A exposição contará com um «passaporte de cidadania» e, ao final da tarde, com o denominado «Café República», pensado como um espaço de conversa sobre os temas relacionados com a Constituição. O presidente da Câmara descreveu a iniciativa como «um género de discussão mais informal do que propriamente aquele tipo de conferência».

O folclore regressa igualmente ao programa da Feira da Luz, depois de vários anos de ausência. «Temos aqui vários ranchos em Montemor, alguns deles até filiados na Federação Nacional, que nos fizeram sentir alguma mágoa por não estarem presentes em anteriores edições da feira», explicou Carlos Pinto de Sá.

O programa inclui ainda, no sábado, o Festival das Carnes de Montemor-o-Novo e, na segunda-feira, uma iniciativa dedicada à mulher agricultora.

«As mulheres que mexem no campo são agricultoras, sejam elas empresárias, sejam líderes. São todas agricultoras», defendeu Joaquim Capoulas, sublinhando a importância do papel feminino no setor agrícola. «Até costumo dizer que uma mulher que semeia os seus coentros num vaso lá em casa, com coentro, salsa, é uma agricultora. Está a mexer na terra, é uma agricultora»..

A música é outra das grandes componentes da Feira da Luz e Expomor, que decorre entre 2 e 7 de setembro e tem entrada gratuita.

Carlão abre o programa do palco principal na quarta-feira, dia 2, seguindo-se Ana Moura na quinta-feira, dia 3. A sexta-feira, dia 4, será dedicada à música de dança, com a RFM Dance Floor e as atuações dos DJ Rich & Mendes e Pedro Carrilho. No sábado, dia 5, sobe ao palco principal Sara Correia, enquanto Papillon atua no domingo, dia 6. O encerramento da Feira da Luz, na segunda-feira, dia 7, ficará a cargo dos Santos & Pecadores.

A programação musical estende-se ao Palco Tasquinhas, que contará, entre outros, com Micshyne, New Balkan Collective e convidados, Rancho Folclórico do Ciborro, Mike El Nite e Los Perdición.

A Feira da Luz/Expomor decorre no parque de exposições municipal e no parque de leilões de gado de Montemor-o-Novo, conjugando durante seis dias a vertente económica e agropecuária com música, gastronomia, artesanato, exposições, movimento associativo e outras atividades culturais.

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