A declaração foi feita no final de mais uma etapa da rota “Pela Coesão e Valorização do Território”, que o secretário-geral socialista está a realizar ao longo da Estrada Nacional 2. Questionado sobre as três cartas que enviou a Luís Montenegro, Carneiro explicou já ter dialogado com o chefe do Governo sobre as propostas nelas incluídas, que incidem nas áreas da Habitação, Defesa e Emergência Hospitalar.
“Obtive, no diálogo que tive com o primeiro-ministro, a palavra de que o Governo queria contar com os contributos do PS para as áreas da Defesa e para implementarem a unidade de coordenação da emergência hospitalar”, afirmou.
Segundo o líder socialista, foram discutidos “muitos outros assuntos” com Montenegro, mas apenas aqueles receberam “consideração concreta da parte do primeiro-ministro”. Agora, disse, “compete [a Luís Montenegro] dar cumprimento a essa palavra e verificar como é que se traduz na prática esse compromisso”.
Carneiro foi ainda questionado sobre o anúncio feito pelo Governo, de que na próxima quarta-feira terão início reuniões na Assembleia da República com os partidos. Em conferência de imprensa, o ministro dos Assuntos Parlamentares, Carlos Abreu Amorim, indicara que esses encontros servirão para o ministro das Finanças apresentar “as grandes opções orçamentais” e discutir o Orçamento do Estado para 2026, bem como outras matérias.
O secretário-geral do PS confirmou que “houve contactos do ministro dos Assuntos Parlamentares com o presidente do Grupo Parlamentar do PS, tendo em vista ouvir os partidos políticos sobre várias áreas”. Entre os temas abordados esteve “o reconhecimento do Estado da Palestina”, cuja posição socialista “é conhecida e pública [e já foi] assumida e defendida na Assembleia da República”.
“Julgo que haverá outras áreas, mas vamos aguardar pela definição da agenda política do Governo, porque é o Governo que tem que tomar a iniciativa. Tomou a iniciativa [de avançar para as reuniões], têm que ser eles, naturalmente, a explicar o que é que querem conversar”, sublinhou.
Já sobre a Comissão Técnica Independente relativa aos incêndios, José Luís Carneiro frisou que, por agora, “o mais importante” é acompanhar a atual época de fogos. “Estamos ainda longe, infelizmente, do fim destes incêndios florestais. Deixo uma palavra, mais uma vez, de responsabilidade aos portugueses. Só há uma forma de evitar os incêndios, é evitar as ignições e, portanto, todos, enquanto cidadãos, temos que contribuir para um país mais seguro, evitando as ignições”, apelou.
Interrogado também sobre declarações do ministro da Defesa, Nuno Melo, que recordou que foi um executivo socialista a cancelar, em 2015, a compra de novos aviões Canadair aprovada pelo anterior Governo PSD/CDS, Carneiro respondeu que o atual executivo da AD “tem que se lembrar que já está há um ano e meio com funções executivas, portanto, começam já a ser passado”.
O líder socialista evocou ainda uma frase do antigo primeiro-ministro Cavaco Silva: “Um governo que ao fim de seis meses culpa os governos anteriores é um governo incompetente e incapaz para solucionar os problemas dos portugueses”.
Texto: Alentejo Ilustrado/Lusa | Fotografia: Arquivo/D.R.