Os dados do Relatório Anual de Segurança Interna (RASI) mostram uma tendência de redução após o pico de 2023, ano em que foram registadas 4122 participações de crimes à GNR e à PSP. Em 2025, o número fixou-se nas 3696 participações, menos 4,7% do que no ano anterior, mas ainda acima dos valores pré-pandemia.
A criminalidade violenta, que tinha atingido um máximo em 2024 com 146 crimes, recuou para 108 em 2025, regressando a níveis próximos da média. Ainda assim, a subida de 75,9% face a 2018 evidencia uma tendência estrutural de agravamento, mitigada no último ano.
A tipologia dos crimes mantém-se estável. A condução com taxa de álcool superior a 1,2 g/l (337 casos) continua a liderar, seguida da violência doméstica (310) e da ofensa à integridade física simples (293). A descida registada em vários indicadores — furtos (-22,5%), condução sem habilitação legal (-18,4%) e burlas através de MbWay (-17,4%) — aponta para uma redução transversal, embora sem alterar o peso relativo destas ocorrências.
No caso das burlas por MbWay, a que as autoridades têm estado particularmente atentas nos últimos anos, tendo ocorrido diversas condenações no Tribunal de Portalegre, o ano passado fechou com 123 participações às autoridades policiais.
Em sentido contrário, alguns fenómenos ganharam maior expressão. Os furtos de metais não preciosos, como cobre, aumentaram 49,2%, sinalizando a persistência de furtos associados a materiais com valor de revenda. Também os crimes de fogo posto (+36,3%) e as burlas na aquisição de bens móveis (+34,9%) registaram crescimentos relevantes.
Na criminalidade violenta, o aumento mais expressivo ocorreu na extorsão (+88,9%), crime que envolve coação com vista à obtenção de vantagem patrimonial. Em termos absolutos, destacam-se os crimes de resistência e coação sobre funcionário (25 casos), roubo na via pública, exceto por esticão (21), e extorsão (17), a que acrescem sete participações por extorsão sexual.
A distribuição territorial confirma a concentração da criminalidade nos concelhos mais populosos. Elvas lidera com 880 ocorrências, seguida de Portalegre (621), Ponte de Sor (514) e Campo Maior (374), todos com descidas face a 2024. Em contraciclo, Nisa (178 casos, mais 13) e Monforte (92, mais 27) registaram aumentos, ainda que em valores absolutos mais reduzidos.
Texto: Alentejo Ilustrado | Fotografia: D.R.












