Entre tubos, pilhas de hidrogénio, rodas teimosas, comandos e idas às boxes, 91 alunos de quatro escolas do litoral alentejano testaram, no pavilhão multiúsos da cidade, a inovação energética fora dos livros.
O evento marcou o encerramento do projeto-escola Hidrogénio Verde na Corrida para a Descarbonização, implementado pelo HyLab, no âmbito da agenda H2 Green Valley, com o apoio da Câmara de Sines e do Sines Tecnopolo.
«O desafio era tentar perceber o que é o hidrogénio verde, como se produz, qual a sua aplicação e perceber também a [sua] potencialidade na descarbonização», explicou Nuno Canha, coordenador geral do projeto.
Durante quatro horas, as equipas puseram à prova carros construídos em sala de aula, numa «corrida de endurance» em que não bastava ser rápido. Era também preciso gerir energia e evitar avarias.
Segundo o responsável, cada turma recebeu um kit com um carro telecomandado, um eletrolisador e pilhas de hidrogénio, cabendo aos alunos «montar, testar e melhorar os veículos».
E, depois, houve quem adotasse diferentes estratégias, como alterar pesos, substituir materiais e até recorrer à cortiça para ganhar desempenho, resumiu o responsável.
Na equipa Power Riders, da Escola Secundária Poeta Al Berto, Inês Vilelas, de 17 anos, contou que o desafio foi aceite «sem pensar duas vezes», embora a corrida tenha começado com tubos rachados, rodas que não viravam e ventoinhas que insistiam em não ligar.
«Tivemos alguns problemas até agora na corrida, mas temos estado a tentar resolver tudo. Temos estado em sexto lugar, mas, como a prova dura quatro horas, ainda conseguimos recuperar», afirmou.
Também atento à performance dos alunos estava o professor José Ferreira, que acompanhava duas equipas da Escola Secundária Manuel da Fonseca, de Santiago do Cacém, em situações distintas: «Uma das equipas está com problemas, mas a outra está a sair-se muito bem», partilhou.
«Estão um bocadinho desmoralizados porque estão a ficar para trás, mas, ao mesmo tempo, estão a tentar resolver o problema e é isso que os vai fazer crescer», acrescentou o docente de Físico-Química.
De Grândola chegou uma equipa com um carro inspirado no Faísca McQueen, escolhido com a ajuda de crianças de um infantário.
Contudo, a escolha não evitou dificuldades: «O hidrogénio, que é o combustível, não está a chegar bem ao carro ou está a fazer pressões elevadas no sistema», contou Rafael Silva, da Escola Secundária António Inácio da Cruz (ESAIC).
Apesar dos obstáculos vividos durante a prova, o colega Lucas Pereira não escondeu o entusiasmo pela experiência, que disse ter sido «enriquecedora» e também «um desafio».
Por seu lado, na equipa da Escola Secundária Padre António Macedo, de Vila Nova de Santo André, que a meio da corrida seguia em quarto lugar, a estratégia era poupar para acelerar na reta final.
«Estamos a tentar segurar as baterias por um tempo para fazer mais voltas e, no fim, acelerar mais», partilhou João Santos, ao fazer um balanço positivo: «Achei que ia ser difícil, mas estou a adorar. Se puder vir de novo, quero vir».
Esta foi a primeira competição do género realizada em Portugal no âmbito do circuito internacional H2 Grand Prix. A equipa vencedora foi a Dj Racing, da ESAIC, que vai poder representar o país na final internacional.
Texto: Alentejo Ilustrado/Lusa | Fotografia: D.R.












