«Queremos essencialmente abordar o tema das doenças e, de certa forma, recriar uma grande instituição que existiu em Alvalade, o Hospital do Espírito Santo, criado pela Ordem de Santiago de Espada», explica Sónia Silva, presidente da Associação Cultural Amigos de Alvalade, que organiza o evento com o apoio da Câmara Municipal de Santiago do Cacém e da Junta de Freguesia de Alvalade.
A responsável precisa que o antigo hospital «tinha a função de tratar» os doentes, mas servia «também de albergue», devido à localização da vila numa antiga rota comercial. Durante a feira, acrescenta, o público vai poder assistir à recriação «do tratamento das feridas com unguentos e às sangrias», entre outros tratamentos que ali eram realizados.
Segundo a Câmara de Santiago do Cacém, a iniciativa «lança o convite para descobrir como eram enfrentadas as doenças e a procura da cura, através dos conhecimentos da medicina da época, da botânica, da sabedoria popular e da fé».
A feira ocupa cerca de uma dezena de ruas do centro histórico, incluindo a praça D. Manuel I. À semelhança de anos anteriores, o programa «é recheado de muita música e animação itinerante», com diversas personagens históricas, torneios a cavalo e apeados, espetáculos de fogo e cortejos históricos. «Haverá também mercado medieval, onde estarão representados artesãos e todos os artífices da zona e alguns produtos tradicionais e medicinais», refere Sónia Silva.
A autarquia descreve que, ao longo de três dias, as ruas da vila e do centro histórico «transformam-se para receber el-rei D. Manuel I e o seu séquito», com «mercadores apregoando os mais variados artigos e artesãos que mostram e ensinam a sua arte». Nas tabernas são servidas «iguarias inspiradas na época», enquanto «trovadores, saltimbancos, cuspidores de fogo, encantadores de serpentes, domadores de aves de rapina e odaliscas acompanhadas de sons exóticos» animam o evento.
No Cerrado das Tulhas, «bravos cavaleiros batem-se em duelos de armas a cavalo e de esgrima», e várias representações teatrais levam à praça e às ruas a vida na Idade Média. Segundo a mesma fonte, «centenas de figurantes trajados a rigor, da rica donzela ao camponês, do leproso em farrapos ao senhor bispo solene, criam o cenário perfeito para esta viagem».
Entre as novidades deste ano, a presidente da associação destaca duas oficinas, uma dedicada ao fabrico do alaúde, instrumento musical «que tem origem medieval», e outra ao de uma caneca de barro.
Outra estreia é um banquete com a «participação» de D. Manuel I e da rainha, no sábado e no domingo, às 12h30, no espaço denominado «Buraco do Rei», onde serão servidos pratos como «açorda de perdiz ou feijoada de lebre».
Os cortejos históricos saem à rua nos mesmos dias, a partir das 15h00, com passagem pelas ruas da vila e chegada de D. Manuel I à praça com o seu nome.
Com um orçamento que ronda os 85 mil euros, o Alvalade Medieval conta este ano com um reforço do apoio municipal. A Câmara Municipal de Santiago do Cacém reconhece «o papel do Alvalade Medieval na valorização do património e na promoção do território», afirma o presidente da autarquia, Bruno Gonçalves Pereira.
O autarca destaca ainda o trabalho coletivo em Alvalade: «A dedicação da Associação Cultural Amigos de Alvalade, os dirigentes, os voluntários, todas as outras associações locais, toda a população, tem permitido elevar continuamente a qualidade desta iniciativa, a que se associa também a Junta de Freguesia.»
O evento assinala a atribuição da carta de foral a Alvalade por D. Manuel I, a 20 de setembro de 1510. Teve início em 2002 e, segundo a autarquia, «afirma-se como um projeto de valorização da memória coletiva, recuperando, em cada edição, diferentes episódios da história e das tradições locais».
O bilhete diário custa cinco euros, mas quem se apresentar trajado a rigor tem entrada gratuita.










