Exposição no Canadá reúne arquivo pessoal inédito de Álvaro Siza Vieira

O Centro Canadiano para Arquitetura (CCA), em Montreal, inaugura na próxima quinta-feira, dia 21, a exposição «A Sorte da Cidade é Nunca Ter Sido Perfeita», dedicada aos projetos urbanos do arquiteto Álvaro Siza.

A mostra reúne desenhos, colagens fotográficas, maquetas, cadernos de esboços e documentação do arquivo pessoal de Siza, doado ao CCA, em diálogo com obras de fotógrafos e arquitetos ligados ao pensamento urbanístico contemporâneo.

Entre os nomes representados encontram-se os fotógrafos Nuno Cera, Gabriele Basilico, Giovanni Chiaramonte, Alessandra Chemollo e Balthazar Korab, assim como os arquitetos e historiadores Aldo Rossi, Gene Summers, James Stirling, Kenneth Frampton e Jean-Louis Cohen.

A exposição é comissariada por Giovanna Borasi, diretora e chief curator do CCA, em colaboração com Laura Aparicio Llorente, e resulta de um processo de investigação e de várias conversas realizadas com Álvaro Siza, no Porto.

Segundo o CCA, a mostra procura refletir sobre a forma como as cidades podem transformar-se sem destruir a sua história e identidade, explorando a relação entre arquitetura, urbanismo e memória coletiva. «O próprio tecido físico, histórico e social da cidade continua a oferecer um terreno fértil de investigação», refere a instituição no texto de apresentação.

A organização sublinha que Álvaro Siza «trabalhou sempre na construção de lugares, bairros e cidades», privilegiando uma abordagem baseada na experiência do território e na integração das estruturas existentes.

A exposição será acompanhada por uma publicação centrada numa extensa história oral conduzida com o arquiteto ao longo de vários dias no Porto, reunindo igualmente notas inéditas descobertas no seu arquivo. O livro, previsto para setembro de 2026, será publicado pelo Canadian Centre for Architecture, pela Circo de Ideias, em português, e pela Ruby Press, em inglês.

Nascido em Matosinhos em 1933, Álvaro Siza Vieira é considerado o arquiteto português mais reconhecido internacionalmente e recebeu o Prémio Pritzker em 1992, o mais importante galardão mundial da arquitetura.

Ao longo de mais de sete décadas de carreira, assinou obras emblemáticas como o bairro da Malagueira, em Évora, o Pavilhão de Portugal da Expo’98, em Lisboa, a renovação do Chiado e a Igreja de Santa Maria, em Marco de Canavezes. Além da arquitetura, Siza desenvolveu uma intensa produção artística ligada ao desenho, escultura e escrita, sendo conhecido pela prática constante do desenho como ferramenta de pensamento e criação.

Em 2024, a Fundação Calouste Gulbenkian apresentou em Lisboa a exposição «Siza», uma das maiores retrospetivas dedicadas ao arquiteto nas últimas décadas, centrada tanto na sua obra arquitetónica como no universo mais íntimo e artístico.

No ano seguinte, a Fundação de Serralves inaugurou em Xangai a exposição «Álvaro Siza: The Archive», considerada a maior mostra alguma vez realizada sobre o seu trabalho, reunindo desenhos, maquetas, esculturas e documentação de arquivo.

O livro «A Última Lição de Álvaro Siza Vieira», da jornalista e escritora Patrícia Reis, publicado recentemente, traça igualmente um retrato pessoal do arquiteto aos 92 anos, abordando temas como memória, criatividade, envelhecimento e poesia.

A inauguração decorrerá entre as 17h00 e as 21h00 locais, incluindo uma conversa pública com Giovanna Borasi e os arquitetos Sebastián Adamo e Marcelo Faiden, responsáveis pelo desenho expositivo. A exposição ficará patente nas galerias principais do Canadian Centre for Architecture até 10 de janeiro de 2027.

Texto: Alentejo Ilustrado/Lusa | Fotografia: D.R.

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