«O Governo preparou-se mal para a subida dos preços, não conseguiu apoiar as pessoas em coisas básicas, como o IVA zero no cabaz essencial, que era uma forma de descer o custo de bens, não era de bens de luxo, nem de bens superficiais, era de bens fundamentais», disse.
André Ventura, que falava aos jornalistas no decurso de uma visita à 38.ª edição da Feira Internacional de Agropecuária de Estremoz (FIAPE), disse desconhecer se o Governo «está a enterrar a cabeça na areia ou não» relativamente à subida da taxa de inflação, mas considerou que «preparou-se mal», estando nesta altura a «lidar mal com a situação».
Ainda sobre este tema, o líder do Chega voltou a apelar à aplicação do IVA zero, tendo em conta a salvaguarda das contas públicas.
«O Governo devia ter feito isso [aplicar IVA zero], o Chega apelou que fizesse isso e isso não aconteceu. Juntou-se a isto uma crise brutal relacionada com os combustíveis, portanto, temos a tempestade perfeita para uma crise no bolso das pessoas», acrescentou.
A taxa de inflação acelerou para 3,4% em abril, mais 0,7 pontos percentuais do que no mês anterior, novamente impulsionada pelos combustíveis, segundo a estimativa rápida divulgada hoje pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).
Em abril, a variação do índice referente aos produtos energéticos aumentou para 11,7%, após uma subida de 5,7% em março.
Em Estremoz, o líder do Chega manifestou-se também preocupado com as notícias relacionadas com o processo Influencer, considerando que o antigo primeiro-ministro António Costa «mentiu» aos portugueses.
Nesse sentido, André Ventura defende a criação de uma comissão de inquérito para chamar António Costa e outros antigos governantes ao parlamento.
«Devemos avançar com uma comissão de inquérito a estes negócios do lítio e do hidrogénio e da Central de Dados de Sines, que fizeram cair o anterior Governo», disse, acrescentando que o objetivo é «um inquérito rigoroso, aos factos que estiveram por detrás, ao envolvimento dos ministros e dos governantes, sejam eles do PS ou não, e tencionamos chamar à comissão de inquérito, não só o ex-primeiro-ministro, António Costa, como todos os ministros, sejam eles socialistas ou outros que tenham estado envolvidos».
Este é um dos temas que André Ventura pretende debater com o seu «governo sombra», tendo anunciado que o mesmo reúne esta sexta-feira, durante a tarde, para efetuar também o anúncio das propostas que têm em carteira para o setor da legislação laboral.
«Nós somos contra [proposta do Governo], mas temos proposta, temos alternativa e queremos mostrar ao país essa alternativa», disse.
Texto: Alentejo Ilustrado/Lusa | Fotografia: David Cebola/D.R.










