Antigo aluno e docente da UE distinguidos no Prémio Musa 2025

A Universidade de Évora está associada ao Prémio Musa 2025, com Vasco G. R. Martins (antigo aluno) a vencer o galardão e com a docente Mariana Vieira a ser distinguida com uma menção honrosa.

Francisco Alves (texto) e Sofia Nunes (fotografia)

O compositor Vasco G. R. Martins foi distinguido com o Prémio Musa 2025, dedicado à poesia de Ana Luísa Amaral, pela obra “Oito Vislumbres do Mundo”. O prémio reconhece a criação contemporânea na área da composição musical, com particular enfoque na relação entre música e língua portuguesa.

O júri, constituído por Amílcar Vasques-Dias, Inés Badalo e Pedro Costa, atribuiu ainda duas menções honrosas: a Mariana Vieira (na fotografia), docente convidada da Universidade de Évora, pela peça “Escuro”»”, e a Igor Maia, por “Mundo: Três Poemas de Ana Luísa Amaral”.

As três obras distinguidas vão ser estreadas no dia 10 de abril, no Festival Projeto: Canção, no Porto, com interpretação de Camila Mandillo (soprano), Luís Rendas Pereira (barítono) e Filipe Gaio Pereira (piano). Posteriormente, serão gravadas para integrar uma edição discográfica digital.

Licenciado em Composição pela Universidade de Évora, Vasco G. R. Martins desenvolveu o seu percurso académico na instituição, onde estudou com Christopher Bochmann, Hugo Ribeiro e Pedro Amaral, tendo também concluído o mestrado em Ensino de Música, sob orientação deste último.

Sobre a obra premiada, o compositor explica que “Oito Vislumbres do Mundo” foi construída a partir de excertos «seleccionados não por critérios narrativos, mas pela sua força imagética, sonora e afectiva».

Natural de Mirandela e nascido em 2000, Vasco G. R. Martins iniciou os estudos musicais como instrumentista, na classe de trompa, começando aos 16 anos a estudar composição.

Na edição de 2025, o Prémio Musa, promovido pelo MPMP — Movimento Patrimonial pela Música Portuguesa, recebeu catorze candidaturas de Portugal e uma do Brasil, todas na área da composição para voz e piano.

Criado com o objetivo de distinguir a excelência da composição contemporânea de tradição erudita ocidental, o Prémio Musa procura também afirmar a língua portuguesa como veículo de expressão artística.

Uma das duas menções honrosas foi atribuída a Mariana Vieira, docente convidada do Departamento de Música da Escola de Artes da Universidade de Évora. A compositora sublinha que a obra premiada representa uma viragem no seu percurso: «O uso da voz e da palavra na composição é um aspeto que durante uma fase inicial do meu percurso ficou para segundo plano, e esta peça representa o que espero ser um novo caminho».

Para Mariana Vieira, distinções desta natureza têm impacto direto na afirmação dos compositores contemporâneos. «O impacto é real pela possibilidade de ver as nossas peças materializadas – isto é, saírem da partitura para serem interpretadas», afirma, destacando a importância da performance no desenvolvimento artístico.

A obra distinguida, intitulada “Escuro”, parte do poema “Buraco negro: o silêncio do escuro”, de Ana Luísa Amaral. Sobre a escolha do texto, a compositora aponta duas ideias centrais: «contraste (entre escuridão e luz)» e «inquietação», que orientaram a construção musical. «Foi um processo que partiu de alguns materiais já criados para piano e para voz, cuja associação à semântica se deu de forma relativamente intuitiva», explica.

Paralelamente à atividade artística, Mariana Vieira desenvolve investigação no âmbito do doutoramento em Composição, mantendo ligação ao Centro de Estudos em Música (CESEM) e ao Grupo de Investigação em Música Contemporânea (GIMC). «Encontro pares com quem posso debater e aprender, e confrontar-me com novos pontos de vista», salienta.

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