Novo reitor da UÉvora quer menos burocracia e mais investigação

António Candeias foi eleito esta tarde reitor da Universidade de Évora com 17 votos, contra sete de Hermínia Vilar, que se propunha a um segundo mandato, e aponta como prioridades a valorização das pessoas, o reforço da investigação e a ligação ao território.

Ana Luísa Delgado (texto)

Docente de Química e Bioquímica e diretor do Laboratório Hércules, António Candeias apresentou-se a eleições com um programa assente em dez eixos estratégicos, centrado na melhoria das condições internas e no reforço da missão da instituição.

«O que pretendo é, por um lado, criar melhores condições para quem está na Universidade: melhores condições para os alunos, para os professores e investigadores e para os funcionários», afirmou em entrevista à “Alentejo Ilustrado”, sublinhando que o objetivo passa por «concretizar em pleno aquilo que é a missão da Universidade: ensinar, produzir conhecimento, investigar e transferir esse conhecimento para a sociedade».

A aposta na qualidade e competitividade da investigação surge como uma das linhas centrais do mandato. «Pretendo que a nossa investigação tenha mais impacto, com mais qualidade, que seja mais competitiva e mais internacional», disse, defendendo também um ensino «mais alinhado com as necessidades do país e da região» e melhorias em indicadores como a retenção e o tempo de conclusão dos cursos.

A ligação ao território é outro eixo estruturante. «Pretendo que a Universidade tenha mais impacto social e cultural no território e no país», afirmou, acrescentando que a instituição deve afirmar-se como «um parceiro indispensável da cidade e da própria região». Neste contexto, destacou o papel da Universidade no projeto da Capital Europeia da Cultura, defendendo que deve ser «um grande motor deste projeto».

Candeias coloca ainda as pessoas no centro da estratégia. «A Universidade não são paredes, são pessoas», afirmou, defendendo a necessidade de «combater a precariedade» e de implementar um plano para «melhorar as condições das pessoas e diminuir essa precariedade», ao mesmo tempo que se aposta no rejuvenescimento da instituição e na captação de talento.

No plano da investigação, o novo reitor defende mais apoio à internacionalização e à captação de financiamento competitivo. «É importante capacitar os nossos docentes e investigadores» para acederem a programas como as bolsas ERC ou o Horizonte Europa, sublinhando também a necessidade de «simplificar os processos» para reduzir a carga burocrática. «São essencialmente necessárias três coisas: capacitação, agilização de processos e um sistema de apoio à internacionalização», sintetizou.

A relação com o Alentejo surge como dimensão estratégica. «A Universidade é fulcral para o desenvolvimento do Alentejo», afirmou, destacando o contributo possível em áreas como o desafio demográfico, a transição energética ou as alterações climáticas, bem como a articulação com empresas e instituições regionais.

Na captação de estudantes, defende uma estratégia diversificada. «Temos de ter uma oferta formativa que seja atrativa» e reforçar parcerias com autarquias, mas também intensificar a internacionalização, apostando em mercados como o Brasil, países africanos de língua portuguesa, América Latina, Europa, China ou Marrocos.

Entre as medidas concretas para reforçar a competitividade, destaca o combate à burocracia. «Fazer uma reengenharia dos processos administrativos» é, para Candeias, essencial para libertar tempo e aumentar a eficiência, a par de uma maior ligação ao tecido empresarial e da captação de recursos para melhorar infraestruturas e investigação.

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