Porque decidiu candidatar-se a reitor da Universidade de Évora?
Acho que a Universidade precisa de ganhar ritmo, de ter uma estratégia clara, com prioridades bem definidas, e de a executar.
E quais são essas prioridades?
Defini um programa com 10 eixos estratégicos. O que pretendo é, por um lado, criar melhores condições para quem está na Universidade: melhores condições para os alunos, para os professores e investigadores e para os funcionários, no sentido de podermos concretizar em pleno aquilo que é a missão da Universidade: ensinar, produzir conhecimento, investigar e transferir esse conhecimento para a sociedade. Por isso, aquilo que proponho não é um conjunto de intenções, mas sim um modo de fazer. Pretendo que a nossa investigação tenha mais impacto, com mais qualidade, que seja mais competitiva e mais internacional. Pretendo também que o nosso ensino esteja mais alinhado com as necessidades do país e da região. E melhorar também alguns indicadores, como é o caso da retenção de alunos e dos tempos de conclusão das nossas formações.
Há também a questão, recorrente, da ligação da Universidade com a região.
Pretendo que a Universidade tenha mais impacto social e cultural no território e no país. Isso implica, obviamente, que se torne um parceiro indispensável da cidade e da própria região. E temos aqui, em particular, um grande desafio, que é Capital Europeia da Cultura. É importante que a Universidade seja um grande motor deste projeto. Mas é também importante que haja mais internacionalização, quer ao nível da investigação, quer ao nível da mobilidade dos docentes, dos estudantes e também dos funcionários. E acho também fundamental que a Universidade seja um espaço onde as pessoas se sintam bem e, por isso, é necessário promover mais inclusão e maior bem-estar.
Como é que isso se faz?
Para isso, temos de modernizar os serviços, investir nas infraestruturas e estar mais de acordo com aquilo que é o paradigma atual da sustentabilidade, por exemplo. Isso, para mim, é fundamental. No centro de tudo estão as pessoas. A Universidade não são paredes, são pessoas. É fundamental que se combata a precariedade e se adote um plano a quatro anos, não só para melhorar as condições das pessoas e diminuir essa precariedade, mas também para rejuvenescer a própria Universidade, simplificando o recrutamento e tendo estratégias de captação de mérito e de desenvolvimento de carreira. Candidato-me no sentido de termos uma Universidade de Évora melhor, com mais visão para o futuro e mais competitiva.
Como se propõe reforçar a capacidade de investigação?
Há várias questões fundamentais. Por um lado, capacitar os nossos docentes e investigadores para poderem ser mais competitivos e poderem, por exemplo, concorrer a projetos europeus, nomeadamente àquelas bolsas milionárias, as ERC [sigla em inglês de Conselho Europeu de Investigação, que financia projetos científicos de excelência na União Europeia] ou mesmo a projetos do [programa] Horizonte Europa. É importante capacitar os nossos docentes e investigadores, bem como ter estruturas de apoio, nomeadamente gestores de ciência, que possam ajudar os investigadores a transformar ideias em projetos alinhados com estes programas de financiamento. E é também importante que, do ponto de vista administrativo, se simplifiquem os processos, de modo a que os docentes e investigadores tenham mais tempo para aquilo que é a sua função e a sua missão, que é ensinar e investigar, e gastem menos tempo em burocracias e processos administrativos. Por isso, eu diria que são essencialmente necessárias três coisas: capacitação, agilização de processos e um sistema de apoio à internacionalização. Além de investirmos em infraestruturas, nomeadamente em laboratórios que permitam desenvolver a investigação, e na ligação com a sociedade: transferir conhecimento, valorizar socialmente esse conhecimento.
Como vê o papel da Universidade no desenvolvimento do Alentejo?
A Universidade é fulcral para o desenvolvimento do Alentejo, designadamente porque podemos dar respostas a muitos dos desafios da própria região. Nós temos, neste momento, um desafio demográfico, e é importante que se perceba o que isto significa do ponto de vista da própria estrutura social da região. Aí, a Universidade de Évora pode ter um papel no desenvolvimento de políticas públicas nessas áreas. Mas também na questão da transição energética, por exemplo, ou das alterações climáticas, tudo relacionado com vários setores, designadamente a agricultura e a pecuária. Podemos, e temos competências — isso é que é importante —, temos competências e talento na Universidade de Évora que podem trabalhar com as empresas e com as instituições da região no sentido de desenvolver soluções. Noutras áreas, as educativas e sociais, a Universidade de Évora pode e deve ser um grande motor de desenvolvimento da nossa região.
Que estratégias propõe para fixar estudantes?
Temos de ter uma estratégia diversificada de atração de estudantes. Desde logo, temos de ter uma oferta formativa que seja atrativa para os estudantes. E é também importante que consigamos fixar estudantes da região nas formações que a Universidade oferece. Aí há um trabalho que pode ser feito com as autarquias e com as Comunidades Intermunicipais, intensificando determinado tipo de parcerias que eu pretendo, de facto, desenvolver e que não têm sido exploradas. É também importante, por exemplo, captar alunos internacionais. Tem-se feito um grande esforço nos últimos anos, mas penso que é possível intensificar a estratégia de captação de alunos em mercados diversificados. Desde logo, obviamente, no Brasil e nos países africanos de língua oficial portuguesa, mas também na América Latina e ainda alunos europeus e de outros países, como é o caso da China ou mesmo de Marrocos, aqui perto de nós.
Se for eleito, que decisões concretas tomaria para reforçar a competitividade da Universidade?
Uma delas, obviamente, é combater a burocracia, agilizar os processos, ou seja, fazer uma reengenharia dos processos administrativos no sentido de melhorar a eficiência, porque isso vai libertar tempo dos nossos docentes e investigadores e dos nossos técnicos e administrativos, no sentido de poderem ser mais eficientes nas suas funções. É extremamente importante, também, termos capacidade e ser competitivos para captar recursos e poder melhorar as nossas infraestruturas de investigação. E depois, obviamente, conseguirmos uma maior ligação ao tecido empresarial e às empresas, no sentido de desenvolver projetos em comum e de poder dar resposta àquilo que são as necessidades das várias empresas.












