António Filipe critica abandono ferroviário de Beja e atraso estrutural do interior

O candidato à Presidência da República apoiado pelo PCP criticou, em Cuba, o atraso continuado na eletrificação da linha ferroviária entre Beja e Casa Branca e a ausência de ligação por autoestrada, considerando que estas opções traduzem uma política de abandono do interior e um desinvestimento persistente na ferrovia.

No centro das críticas está o novo adiamento da eletrificação da linha, agora apontado para 2032. Para o candidato, este arrastamento no tempo compromete qualquer estratégia séria de mobilidade e desenvolvimento regional: “A eletrificação da linha Beja-Casa Branca é sucessivamente adiada, agora empurrada para 2032, enquanto se fala em substituir comboios por autocarros e se impõem percursos absurdos a quem precisa de se deslocar.”

António Filipe considerou que estas opções não resultam de falhas técnicas pontuais, mas de uma orientação política consistente. “Isto não é planeamento, é desinvestimento continuado na ferrovia”. Uma leitura que, sublinhou, ganha particular gravidade num distrito que continua sem acesso ferroviário eletrificado e sem ligação direta por autoestrada, limitando a mobilidade de pessoas e mercadorias.

Segundo o candidato presidencial, a situação das infraestruturas de transporte em Beja é apenas uma expressão de um problema mais amplo: “Esta realidade traduz uma política de abandono do interior: más acessibilidades, serviços públicos encerrados, dificuldades acrescidas para fixar populações e um desenvolvimento cada vez mais desequilibrado do país.”

O candidato sublinhou ainda que estas matérias devem assumir um lugar central no debate público, incluindo no contexto das eleições presidenciais. “São estes problemas concretos, que afectam o dia a dia das pessoas, que têm de estar no centro do debate político — também no debate em torno das eleições presidenciais.”

As declarações foram feitas à margem de uma iniciativa de campanha em Cuba, durante a qual defendeu que “tudo deve ser apurado” no caso da demora no socorro a um cidadão no Seixal e considerou que a responsabilidade a assumir é de quem chefia o Governo.

“Eu acho que tudo deve ser apurado nesse caso. Quando acontece uma desgraça relacionada, de facto, com o funcionamento dos serviços de saúde, ou, neste caso, também do INEM, têm que ser investigadas até ao fundo as causas do que é que aconteceu efetivamente, o que é que fez com que esta desgraça tivesse acontecido”, afirmou António Filipe.

Segundo acrescentou, o Serviço Nacional de Saúde “tem-se vindo a degradar significativamente” e o INEM “tem sido motivo de muitas notícias, por más razões, ou porque há atrasos no socorro com graves consequências. com sucessivas alterações de chefias ao nível do próprio INEM. E, portanto, nós estamos perante uma situação muito grave a esse nível”. 

O INEM abriu uma auditoria à chamada recebida na terça-feira do utente do Seixal que morreu depois de ter estado três horas à espera de socorro, anunciou o presidente do instituto. “Esse primeiro passo foi determinado e essa auditoria à chamada está a ser feita”, disse Luís Cabral, em declarações hoje aos jornalistas no Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) de Lisboa.

Texto: Alentejo Ilustrado/Lusa | Fotografia: D.R.

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