António Zambujo lança novo álbum e estreia dueto com Caetano Veloso

António Zambujo apresenta em abril, nos coliseus de Lisboa e Porto, o novo álbum “Oração ao Tempo”, um disco marcado pela reflexão sobre a passagem do tempo e que inclui, pela primeira vez, uma gravação com Caetano Veloso.

Joana Ramos Simões/Lusa (texto) e Manuel de Almeida/Lusa (fotografia)

Em “Oração ao Tempo” volta a dar voz a letras de autores como João Monge, Pedro Silva Martins e Maria do Rosário Pedreira, responsável pela canção que serviu de mote ao disco.

Em 2021, António Zambujo pediu à escritora uma letra que falasse sobre «aproveitar o tempo de outra forma». O resultado foi “Pequenos Prazeres”, canção que abre o álbum. «E a ideia era fazer um disco sobre isso, sobre o aproveitamento do tempo e a forma como usamos o tempo».

O tempo continuou a correr, surgiram os álbuns “Voz e Violão” (2021) e “Cidade” (2023), e a música “Pequenos Prazeres” acabou por ficar guardada. «Agora, finalmente, a partir dessa música, comecei a desenvolver o disco a falar sobre isso, sobre tudo o que tivesse relação com o tempo», diz.

Os 50 anos de vida, que celebrou no ano passado, levaram António Zambujo a esta reflexão sobre a passagem do tempo. «O tempo acaba por nos fazer pensar o tempo de outra forma», afirma, partilhando que a única parte da vida em que não sente a rápida passagem do tempo, «felizmente», é quando está a cantar e a tocar. «Mas associado a isso, há as viagens, os aviões e o tempo que nós perdemos nessas deslocações».

De conversas com várias pessoas sobre o conceito do disco, entre elas o seu agente no Brasil, João Mário Linhares, «surgiu a ideia do tema ‘Oração ao Tempo’, não para fazer dueto com o Caetano Veloso, mas para usar a música, porque fazia todo o sentido cantá-la nesse disco».

“Oração ao Tempo”, com letra e música do músico brasileiro, foi editado originalmente em 1979, no álbum “Cinema Transcendental”.

Nas «idas e vindas» ao Brasil, António Zambujo acabou por mostrar uma maquete da nova versão, ainda numa fase inicial, a Caetano Veloso. «Ele gostou e surgiu a oportunidade de gravarmos lá, juntos. E assim foi. Fiquei muito contente por poder apresentar a música dessa forma», partilha o cantor, considerando que gravar com o músico brasileiro foi «muito bom, é uma aprendizagem».

Zambujo já tinha gravado com Milton Nascimento, Chico Buarque, Ney Matogrosso e Lenine, só lhe faltava «o melhor», o cantor brasileiro de que mais gosta. Embora já tivesse cantado temas de Caetano Veloso ao vivo, esta foi a primeira vez que António Zambujo gravou um, num álbum seu. O mesmo aconteceu com as canções da autoria de Mimi Froes, Rita Dias e Carolina Deslandes.

«A Mimi Froes foi uma surpresa, talvez a maior de todas, porque era provavelmente a pessoa que eu conhecia pior. De repente aparece-me com quatro músicas e eu fiquei completamente apaixonado por elas. Era para ter gravado as quatro, mas depois, por causa dos tempos do disco, acabei por gravar só duas. Fiquei com mais duas que não sei se provavelmente irei gravar num próximo disco», conta.

Em “Oração ao Tempo”, António Zambujo canta também pela primeira vez um tema do letrista brasileiro Torquato Neto (“Três da Madrugada”), que morreu em 1972, aos 28 anos. E dá ainda voz a palavras de Diogo Zambujo, filho do cantor, e dos brasileiros Tom Jobim (1927-1994) e Newton Mendonça (1927-1960).

Entre as 15 faixas que compõem o álbum, ficaram também registadas conversas que aconteceram durante a gravação, em estúdio. «Acho que torna a coisa mais orgânica e mostra também um bocadinho do que é a nossa experiência no estúdio».

O trabalho, com produção de André Santos, guitarrista da banda que acompanha António Zambujo, será apresentado ao vivo a 11 de abril, no Coliseu do Porto, e nos dias 16 e 17 de abril, no Coliseu dos Recreios, em Lisboa. O 11.º álbum do cantor será apresentado na íntegra nos coliseus e ao longo da digressão.

«Pela primeira vez estamos a tocar todas as músicas do disco. Quando gravamos um disco há sempre músicas que depois achamos que não resultam ao vivo e vão ficando de fora dos concertos até ficarem esquecidas. Pensando nisso, houve músicas de discos anteriores que vamos recuperar e que farão parte do concerto», revela.

De acordo com o cantor, a primeira parte do concerto será dedicada a “Oração ao Tempo” e a segunda a músicas de álbuns anteriores e outras que nunca gravou, mas gosta de cantar.

Além dos concertos nos coliseus, António Zambujo tem mais espetáculos marcados em Portugal, em localidades como Aveiro (hoje), Chaves (10 de abril), Grândola (24 de abril), Vila Nova de Paiva (25 de abril) e Lousã (30 de maio), bem como uma digressão no Brasil em maio, com datas em São Paulo, Ilhabela, Porto Alegre, Florianópolis, Belo Horizonte, Recife, Fortaleza, Rio de Janeiro, Campinas, Brasília e Goiás.

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