Segundo o jornal, os 45 quilómetros de areal contínuo e quase sem rochas entre Troia e Sines — a maior extensão de praia da Europa e a terceira maior do mundo — atraem turistas, mas também as principais organizações de tráfico de cocaína do mundo.
Fontes policiais disseram ao Expresso que «a praia da Comporta é um dos principais pontos de desembarque de cocaína na costa portuguesa».
Recorde-se que há pouco mais de um mês, fardos com mais de duas toneladas de cocaína deram àquele areal, arrastados pelas correntes. A droga tinha sido lançada ao mar dez dias antes, durante uma perseguição policial a sudoeste do cabo Espichel, de forma a eliminar prova e a ganhar velocidade na fuga.
«Desde o primeiro semestre deste ano, a Polícia Marítima passou a realizar patrulhas sistemáticas nas zonas costeiras, inicialmente entre Setúbal e Sines, onde se registou um aumento da atividade criminosa», disse ao Expresso o vice-almirante Nuno Chaves Ferreira, comandante-geral da Polícia Marítima até julho.
Segundo o mesmo responsável, o patrão de cada embarcação recebe 50 mil euros por viagem, os técnicos responsáveis pela carga entre 25 mil e 30 mil euros, e os tripulantes de apoio 7,5 mil euros. Os pescadores portugueses são recrutados sobretudo para a logística, a vigilância e o transporte de combustível.
Além da Comporta, a Polícia Marítima e a Polícia Judiciária apontam a Trafaria, os estuários do Tejo e do Sado e o Algarve como outros pontos críticos. Há nove meses, um militar da GNR foi decapitado por uma destas embarcações durante uma operação no rio Guadiana; os autores fugiram para Espanha e continuam por deter.
Fotografia: Apreensão de droga nas praias da zona da Comporta. © Autoridade Marítima/Direitos Reservados










