O espetáculo, encenado por Gisela Cañamero, estará em cena na quarta e na quinta-feira, às 21h00, abordando «uma das realidades mais persistentes e silenciosas da sociedade portuguesa». A produção, interpretada por Inês Romão e Luís Amaro, retrata «a vida de um jovem casal desde a altura em que é tudo cor-de-rosa» até ao momento em que surgem «as questões da posse do outro», quando «qualquer coisa mínima passa a ser um gatilho para agredir o outro verbal ou fisicamente».
«A peça, infelizmente, baseia-se em factos reais. Tive muitos testemunhos diretos, falei com pessoas que foram vítimas de violência doméstica e acompanhei as notícias que passaram na televisão», relatou Gisela Cañamero, sublinhando que o objetivo central é não só «alertar as pessoas de que há sinais [em relações tóxicas] que se deixam passar», mas também «dar um pouco de esperança às vítimas».
A encenadora exemplificou com situações de pais que usam os filhos «como arma de arremesso» e de mulheres que, sendo «a esmagadora percentagem de vítimas», vivem «numa situação da qual não conseguem escapar, do lugar que deveria ser o espaço mais seguro e confortável». Para Cañamero, a peça vem mostrar que existe «um caminho a percorrer» ao nível da «educação e da libertação daquela visão mais frágil das vítimas» de violência doméstica.
A cenografia é também da autoria de Gisela Cañamero. Os atores contaram com aulas de técnicas de autodefesa pessoal lecionadas por António Azevedo.
Texto: Alentejo Ilustrado c/Lusa
Fotografia: Wikipedia Commons/Creative Commons









