Aumento da sinistralidade leva GNR a «recuperar» antiga Brigada de Trânsito

A Guarda Nacional Republicana (GNR) pretende reorganizar a Unidade Nacional de Trânsito segundo um modelo inspirado na antiga Brigada de Trânsito, desativada no final da década de 2000, num contexto de agravamento dos indicadores de sinistralidade rodoviária em Portugal.

A proposta surge após a constatação de uma tendência de aumento das vítimas mortais nas estradas. De acordo com a própria GNR, «só no primeiro trimestre deste ano, as vítimas mortais aumentaram 22%, registando-se 145 vítimas mortais até 13 de abril, mais 42 que em igual período do ano passado».

A corporação sublinha que a sinistralidade rodoviária «continua a constituir um dos principais desafios à segurança pública», assumindo-se como um fenómeno complexo, com impacto direto na vida das pessoas .

Neste contexto, a reconfiguração da estrutura de trânsito é apresentada como uma resposta estratégica, recuperando a lógica de comando centralizado que caracterizava a Brigada de Trânsito, extinta em 2007, com implementação efetiva em 2009. Segundo a GNR, os constrangimentos atuais já tinham sido antecipados aquando dessa decisão, tendo o Comando manifestado «firme oposição» à extinção .

Desde então, os destacamentos de trânsito foram integrados nos comandos territoriais, o que, de acordo com a Guarda, conduziu a limitações operacionais. Entre os problemas identificados estão «a dispersão de comando técnico, a dificuldade na uniformização de procedimentos a nível nacional» e a menor capacidade de concentração de meios .

A GNR defende agora que a resposta à sinistralidade exige uma abordagem nacional e não fragmentada. «As estradas são contínuas. A sinistralidade rodoviária não respeita limites administrativos nem sobreposições», sublinha a instituição .

O novo modelo prevê a integração dos 23 destacamentos de trânsito existentes numa estrutura com comando técnico e operacional à escala nacional, algo que, segundo a Guarda, «de momento, não existe» . Está igualmente prevista a criação de níveis intermédios de comando, através de grupos de trânsito, reforçando a coordenação e supervisão.

Entre os eixos da reorganização destacam-se ainda o reforço do comando técnico especializado e a manutenção da proximidade territorial, garantindo a presença no terreno e a articulação com os comandos territoriais.

A GNR considera que esta reorganização «constitui não apenas uma evolução organizacional, mas uma resposta estruturada e coerente com as exigências atuais da segurança rodoviária» , apostando num modelo mais ágil, orientado pelo risco e sustentado na análise de dados.

A implementação será faseada, com o objetivo de assegurar «um policiamento adequado em toda a Rede Nacional Fundamental e Rede Nacional Complementar» .

Atualmente, a GNR tem presença em 94% do território nacional e em 98% das vias rodoviárias, um fator que, segundo a instituição, reforça a capacidade para operacionalizar um modelo de âmbito nacional.

Texto: Alentejo Ilustrado | Fotografia: D.R.

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