O título da peça parte de um código: #16161D é a referência hexadecimal de uma tonalidade de preto quase absoluto. É dessa escuridão que emerge o espetáculo, construído em torno da tensão entre o indivíduo e o coletivo, o íntimo e o monumental. Segundo a Évora_27, a obra procura «imaginar novas formas de relação e de partilha do futuro».
No palco, cinco bailarinos/cantores actuam mergulhados na escuridão total, equipados apenas com luzes portáteis. Antes de serem vistos, são ouvidos: a respiração, os passos e as vozes antecedem qualquer imagem. A partir dessa atmosfera inicial, os intérpretes exploram, segundo a organização, «a relação entre movimento, voz e luz, numa criação situada na intersecção entre coreografia, composição musical e performance contemporânea».
O dispositivo central da peça assenta numa dissociação deliberada entre o corpo que canta e o corpo que se move. A Évora_27 descreve uma «prática física singular que lhes permite incorporar dois movimentos num único corpo: o movimento que soa; o canto; e o movimento que se vê».
O resultado é uma técnica em que «a produção sonora e a ação física coexistem de forma autónoma, expandindo as possibilidades sensoriais e performativas do corpo».
Assumindo-se como peça transdisciplinar, «A Beginning #16161D» funde coreografia e composição vocal ao vivo numa experiência que a organização descreve como «especulativa e imersiva», conduzindo «espectadores e intérpretes da escuridão total para a luz».
Com este trabalho, Aurora Bauzà & Pere Jou propõem, segundo a nota da Évora_27, «uma reflexão sobre as tensões entre singularidade e coletividade, numa criação que imagina novas formas de coexistência através do som, do movimento e da percepção».












