Portugal «abandonou» memorial de Humberto Delgado

O presidente da Câmara de Villanueva del Fresno, Ramón Díaz Farias, afirma que «há vários anos» cessou «a participação portuguesa nas homenagens realizadas a 13 de fevereiro» ao general Humberto Delgado e a Arajaryr Campos, assinalando que a autarquia espanhola tem sido a única a manter os atos de memória. 

Luís Godinho (texto)

A resposta surge depois de a Alentejo Ilustrado ter questionado o autarca sobre denúncias relativas ao estado de abandono do memorial de Humberto Delgado e da sua secretária, Arajaryr Campos, assassinados próximo de Villanueva del Fresno, junto à fronteira com Portugal.

Segundo Ramón Díaz Farias, «Villanueva del Fresno tem mantido, isoladamente, estes atos de memória, sendo a única entidade que continua a homenagear ambas as vítimas».

O autarca recorda que o memorial resultou da colaboração institucional entre a Junta da Extremadura, as Câmaras de Mourão e Reguengos e o Ayuntamiento de Villanueva del Fresno», e lamenta o afastamento português, manifestando a expectativa de que «Portugal recupere o seu protagonismo nesta tarefa comum».

As declarações à Alentejo Ilustrado surgem em resposta a uma denúncia enviada à revista sobre o «visível estado de abandono, desleixo e degradação» em que se encontra o memorial, situado no Sítio de Malos Pasos, local que assinala, segundo o autor da carta, o ponto exato onde as vítimas «foram barbaramente assassinadas pela PIDE em 1965».

Relatos e fotografias demonstram que o monumento está votado ao esquecimento, «cercado por vegetação densa, sem qualquer manutenção estrutural e com acessos gravemente desmazelados».

Questionado sobre estas alegações, Ramón Díaz Farias sublinha que «aquilo que pode ser interpretado como abandono corresponde, na realidade, à conceção original do monumento», recordando que a escultora Fernanda de Assis «indicou expressamente que o local deveria manter um caráter inóspito, refletindo a força de quem ali foi sepultado depois de ter sido assassinado».

O autarca acrescenta que «os restos de vegetação que rodeiam o monumento não resultam de abandono, mas da vontade da autora», sublinhando que «não existe lixo, mas apenas vegetação própria do local, em conformidade com as orientações artísticas».

O presidente da autarquia espanhola explica ainda que a intervenção municipal se limita à «limpeza de resíduos, quando estes existem, o que não acontece atualmente», e garante que, «sempre que é detetado algum ato de vandalismo — e registam-se vários ao longo do ano —, a autarquia atua de imediato para repor o estado do memorial».

Quanto a obras de fundo, adianta que o Caminho dos Maus Passos «será reparado em breve, graças aos apoios do Governo de Espanha destinados à reconstrução dos danos provocados pelo transbordo da ribeira».

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Partilhar artigo:

ASSINE AQUI A SUA REVISTA

Opinião

ALENTEJO CARTOONADO
por Rui Pimentel

O ALENTEJO DE SARAMAGO

CARLOS LEITÃO | Crónicas

<b>BRUNO HORTA SOARES</b><br> É p'ra hoje ou p'ra amanhã

Caro? O azeite?

PUBLICIDADE

© 2026 Alentejo Ilustrado. Todos os direitos reservados.

Desenvolvido por WebTech.

Assinar revista

Apoie o jornalismo independente. Assine a Alentejo Ilustrado durante um ano, por 48,00 euros (IVA e portes incluídos)

Pesquisar artigo

Procurar