A resposta surge depois de a Alentejo Ilustrado ter questionado o autarca sobre denúncias relativas ao estado de abandono do memorial de Humberto Delgado e da sua secretária, Arajaryr Campos, assassinados próximo de Villanueva del Fresno, junto à fronteira com Portugal.
Segundo Ramón Díaz Farias, «Villanueva del Fresno tem mantido, isoladamente, estes atos de memória, sendo a única entidade que continua a homenagear ambas as vítimas».
O autarca recorda que o memorial resultou da colaboração institucional entre a Junta da Extremadura, as Câmaras de Mourão e Reguengos e o Ayuntamiento de Villanueva del Fresno», e lamenta o afastamento português, manifestando a expectativa de que «Portugal recupere o seu protagonismo nesta tarefa comum».
As declarações à Alentejo Ilustrado surgem em resposta a uma denúncia enviada à revista sobre o «visível estado de abandono, desleixo e degradação» em que se encontra o memorial, situado no Sítio de Malos Pasos, local que assinala, segundo o autor da carta, o ponto exato onde as vítimas «foram barbaramente assassinadas pela PIDE em 1965».
Relatos e fotografias demonstram que o monumento está votado ao esquecimento, «cercado por vegetação densa, sem qualquer manutenção estrutural e com acessos gravemente desmazelados».
Questionado sobre estas alegações, Ramón Díaz Farias sublinha que «aquilo que pode ser interpretado como abandono corresponde, na realidade, à conceção original do monumento», recordando que a escultora Fernanda de Assis «indicou expressamente que o local deveria manter um caráter inóspito, refletindo a força de quem ali foi sepultado depois de ter sido assassinado».
O autarca acrescenta que «os restos de vegetação que rodeiam o monumento não resultam de abandono, mas da vontade da autora», sublinhando que «não existe lixo, mas apenas vegetação própria do local, em conformidade com as orientações artísticas».
O presidente da autarquia espanhola explica ainda que a intervenção municipal se limita à «limpeza de resíduos, quando estes existem, o que não acontece atualmente», e garante que, «sempre que é detetado algum ato de vandalismo — e registam-se vários ao longo do ano —, a autarquia atua de imediato para repor o estado do memorial».
Quanto a obras de fundo, adianta que o Caminho dos Maus Passos «será reparado em breve, graças aos apoios do Governo de Espanha destinados à reconstrução dos danos provocados pelo transbordo da ribeira».










