O líder comunista, que falava aos jornalistas em Benavila, à margem de um almoço comemorativo do 105.º aniversário do PCP, defendeu ainda o fim da dupla tributação no setor dos combustíveis.
«Acabar com uma dupla tributação que existe nos combustíveis hoje. Como sabemos, há uma dupla tributação completamente desnecessária. Depois, concretizar aquilo que nós andamos a dizer há anos, que é olhar para a eletricidade, para o gás e para as telecomunicações como bens essenciais», disse, defendendo a aplicação de uma taxa de IVA de 6% «e não de 13% ou 23%, como temos atualmente».
Paulo Raimundo defendeu ainda que as grandes empresas e a banca devem contribuir com os lucros gerados, no sentido de minimizar os problemas económicos que o país atravessa, na sequência da guerra no Irão.
«Nós temos a Galp com mais de mil milhões de euros de lucro no ano passado, a banca com cinco mil milhões de euros nos cinco principais bancos, os grandes retalhistas — Sonae, Continente, Pingo Doce e por aí fora — com lucros históricos, recorde, que nunca tinham tido e então esses vão passar ao lado deste exercício?», questionou. Insistindo: «Estão a pedir esforços a cada um de nós para pagar mais, estão a pedir esforços ao Estado para baixar impostos. Então e estas grandes empresas?»
Para o líder do PCP, «não dá para passar ao lado» deste cenário e a atuação do Governo na adoção de medidas para minimizar os aumentos nos bens essenciais e na energia não responde ao necessário.
«A senhora ministra [do Ambiente] falou que Portugal só vai longe nas medidas quando entrar em crise energética. É quando a gente já não se conseguir mexer, é quando o povo já não se conseguir mexer é que vai intervir? Faz mal, tem de intervir agora, regular preços e fixar preços», defendeu.
Em relação ao conflito no Médio Oriente, Paulo Raimundo considerou que o mundo assiste a «uma agressão brutal» contra o Irão: «Nós estamos confrontados com uma agressão brutal dos Estados Unidos e Israel a um Estado soberano, que é o Irão, e isto é válido para todos aqueles que atacam Estados soberanos, não só para este caso».
Trata-se, sublinhou, de «uma guerra infundada, injusta, desnecessária», que «está a arrastar» o país e o mundo para uma «situação caótica», para a qual o Governo português e os partidos da direita «decidiram arrastar o país», com o «escancarar das portas da Base das Lajes, mas não só. Não é um problema de apoio técnico só, é um apoio técnico e político e, portanto, quem o fez tem de assumir as consequências do que fez».
Além de criticar «o negócio» para lugares no Tribunal Constitucional, Paulo Raimundo disse ainda que está também a ser negociado «por baixo da mesa e nos corredores» o apoio ao Governo no pacote laboral, na alteração à Lei de Bases da Saúde e «no assalto» à Segurança Social.
Durante a intervenção, Paulo Raimundo manifestou ainda a sua «solidariedade para com Cuba, o povo cubano e a revolução cubana».
Texto: Alentejo Ilustrado/Lusa | Fotografia: D.R.












