Em comunicado, a companhia, sediada em Serpa, explicou que a nova produção, baseada num texto de Heinrich von Kleist, romancista alemão do século XIX, reflete, de uma forma cómica, sobre a fragilidade da justiça e das instituições.
Apesar de o texto «ter mais de dois séculos, a encenação pretende sublinhar a ironia da sua impressionante atualidade» e a comédia «A Bilha Quebrada» denuncia «a hipocrisia, a corrupção e o abuso de poder», desafiando o público para uma reflexão «sobre a fragilidade da justiça e das instituições».
Com encenação de Rui Ramos, o espetáculo vai estar em cena entre quinta-feira e sábado, no Largo de Santa Maria, às 21h30, na cidade de Serpa. De acordo com o encenador, as oito personagens da peça «sobem a um estrado/tabuado largo», estrutura única que funciona como cenário de tribunal, casa e palco da farsa.
«As figuras, grotescas, interpretadas de forma deliberadamente excessiva e em diálogo com a plateia, sublinham o caráter burlesco da obra, onde por vezes se confunde o público com o privado», resume Rui Ramos.
O objeto central da peça é uma bilha quebrada que, segundo o encenador, é «o motivo do julgamento». Este objeto, aparentemente banal, «assume um forte valor simbólico» e funciona como «um espelho crítico da sociedade atual, questionando a credibilidade das instituições e a facilidade com que a verdade pode ser manipulada».
«Tal como em Kleist, o riso surge, mas deixa sempre um travo amargo, [sendo] sinal de um teatro que diverte, mas sobretudo [que] inquieta», acrescenta o encenador.
A cenografia é assinada por Fabrice Ziegler, sendo o espetáculo, de entrada livre, interpretado por Bárbara Soares, Carolina Carvalhais, Filipe Seixas, Marco Ferreira, Marisela Terra, Miguel Magalhães, Pedro Ramos e Sandra Serra. Os figurinos são da responsabilidade de Inês Galveias, a caracterização de Abigail Machado e o design gráfico de Ana Rodrigues.












