“Bairro das Flores” marca estreia discográfica dos Bandidos do Cante

Os Bandidos do Cante, cinco jovens alentejanos oriundos de Beja e Portel, editam hoje o álbum de estreia “Bairro das Flores”, um trabalho que parte das raízes do cante alentejano para explorar novas linguagens musicais e onde o amor surge como fio condutor, sob a forma de 'moda canção’.

Miguel Costa, Duarte Farias, Francisco Raposo, Luís Aleixo e Francisco Pestana, com idades entre os 24 e os 30 anos, são orgulhosos alentejanos, de Beja e Portel, que entraram na música pelo cante, primeiro em casa e mais tarde em convívios com amigos, mas fazem questão de explicar que o que apresentam em “Bairro das Flores” não é cante puro.

“Não podemos dizer que é um álbum de cante alentejano, mas as suas raízes estão lá. Tentámos fazer várias experiências, trabalhámos com vários produtores diferentes. Houve coisas que se calhar saíram mais pop, outras num misto entre o pop e o tradicional”, refere Luís Aleixo.

As letras guardam “coisas simples, que falam de quotidianos das pessoas” e Francisco Raposo acredita que, por isso, “pode haver pessoas a identificarem-se por completo com as canções” do grupo. “É uma das coisas que queremos”, disse.

Duarte Farias acrescenta que “a palavra-chave” do álbum é amor: “Fala muito de amor de várias formas, cada música tem o seu estilo. [Algo que] também tem que ver com o facto de termos trabalhado com muitas pessoas e com produtores diferentes”.

Com as oito músicas de “Bairro das Flores”, às quais chamam ‘moda canção’, os cinco querem “transmitir essencialmente uma coisa que seja verdadeira”. “Porque é disso que a nossa música é feita, as nossas vivências puxam muito para aquilo que é a terra, os ambientes do quotidiano, das coisas se calhar mais simples e bonitas da vida. E nós queremos que as pessoas sintam isso dessa forma”, diz ainda Luís Aleixo.

Embora não seja cante puro, o cante está lá: “Está nas nossas vozes, as nossas voltinhas, a forma de interpretarmos as canções. É difícil não verem que estes rapazes vieram do cante alentejano. No entanto, ouvindo uma música inteira, nem todas são cante, mas a nossa identidade, de cada um, estará sempre presente nas canções”, sublinha Francisco Raposo.

A carreira dos Bandidos do Cante é curta, mas preenchida – já conta com uma nomeação aos PLAY – Prémios da Música Portuguesa e dezenas de concertos em nome próprio – e começou quase por acaso, graças a “Casa”, música que os D.A.M.A. editaram no final de 2022, com a participação de Buba Espinho.

Tudo começou com um jantar, no Alentejo, que como tantas outras refeições termina com os convivas a cantarem modas alentejanas. Habituados desde pequenos a ouvirem cante, graças aos pais, avós e outros familiares, já na adolescência foi o convívio que manteve os cinco ‘bandidos’ ligados àquele género musical. “Nas nossas idades era aquilo que nos despertava mais atenção: estarmos todos juntos, comer e beber qualquer coisa e cantar com amigos. Foi o que nos fez juntar ao início”, conta Francisco Raposo.

Ao jantar seguiu-se a gravação de vozes para “Casa”, tema com milhões de audições e visualizações em plataformas online e que integrou as playlists de rádios de todo o país, e os palcos dos coliseus de Lisboa e do Porto. Em junho de 2023 atuaram nos coliseus com os D.A.M.A. e Buba Espinho, ainda como os Amigos do Alentejo.

“Fomos apresentados assim, mas o Kasha [um dos elementos dos D.A.M.A.] dizia sempre ‘vocês são os bandidos, os Bandidos do Cante’, e adotámos esse nome”, revela Francisco Raposo.

Já com o nome escolhido foi altura de começarem a pensar na criação de canções originais. Para ajudar, decidiram recorrer a Jorge Benvinda (dos Virgem Suta), “um símbolo” de Beja e “um cantor e compositor fantástico”, que “tem o hábito do cante alentejano e do convívio e teve um grupo com o Duarte [Farias]”. É ele o autor do primeiro single do grupo: “Amigos coloridos”.

Na criação de “Bairro das Flores” esteve “muita gente envolvida, a escrever e a compor”. Artistas com quem os Bandidos do Cante se identificam, como Agir, Eduardo Espinho, Jon ou Rodrigo Correia. “Tivemos algum cuidado em escolher as pessoas que queríamos que participassem neste álbum e neste projeto. Pessoas que entendessem e compreendessem a nossa estética e a mensagem que queríamos transmitir”, partilha Luís Aleixo.

O álbum conta também com a participação de António Zambujo, convidado no tema “Primavera” e que é uma referência para os cinco amigos. “Bebemos de muita coisa que ele fez” – refere Luís Aleixo – “, “tentamos trilhar o mesmo caminho que ele. Também gostávamos de ir lá para fora, tentar fazer algumas coisas diferentes, se calhar com grupos corais”.

António Zambujo é o único convidado para já, porque o grupo irá juntar mais músicas, com mais convidados, numa versão deluxe do álbum a ser editada mais à frente, revelou Francisco Raposo. Em março, os Bandidos do Cante participam no Festival da Canção, com a esperança de conseguirem levar o Alentejo à Eurovisão.

Texto: Alentejo Ilustrado/Lusa | Fotografia:

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