Após a vitória, o grupo escreveu nas redes sociais: “não é só uma vitória nossa, é a vitória de uma nação inteira!! Estamos a viver dias inesquecíveis”. A canção foi a mais votada na final, alcançando um total de 22 pontos, resultado da soma de 12 pontos atribuídos pelo público e 10 pontos atribuídos pelo júri.
Os Bandidos do Cante são formados por Miguel Costa, Duarte Farias, Francisco Raposo, Luís Aleixo e Francisco Pestana. O grupo destacou-se ao longo do concurso com uma proposta musical assente no cante alentejano.
A vitória surge numa edição do Festival da Canção marcada por um debate político em torno da participação portuguesa na Eurovisão. Em dezembro, a maioria dos participantes anunciou que recusaria representar Portugal no concurso europeu caso vencesse o festival, em protesto contra a presença de Israel na competição.
Os Bandidos do Cante optaram por não subscrever essa posição. Numa publicação nas redes sociais, o grupo afirmou que, “se um dia o público e o júri entenderem” que a canção que apresentarem “deve vencer”, irão “representar Portugal com responsabilidade, respeito e dignidade”.
Após a vitória, os músicos reiteraram que a sua posição se centra na música e na divulgação da cultura alentejana.
Em entrevista à RTP Notícias, Luís Aleixo afirmou que a posição do grupo “sempre foi musical e não política. Nós fazemos isto desde crianças, tentamos elevar o Alentejo e a nossa região ao máximo e começámos a cantar em cima de fardos de palha e agora estamos aqui e é um privilégio enorme partilhar o palco com estes quatro colegas maravilhosos que eu tenho, vozes inconfundíveis e vamos levar a nossa região e o cante alentejano o mais longe possível”.
Também Francisco Raposo sublinhou a dimensão cultural da participação no concurso europeu: “A nossa posição vai ser sincera e vamos desfrutar imenso. O nosso propósito foi elevar a nossa cultura e o cante alentejano. Levar a nossa cultura e o cante. Do Alentejo para o Festival e levá-la além fronteira seria um sonho de qualquer alentejano e estamos muito contentes”.
A participação portuguesa na Eurovisão acontece num contexto de contestação internacional. Este ano serão 35 os países a competir no festival, após as desistências de Espanha, Irlanda, Países Baixos, Eslovénia e Islândia, motivadas pela participação de Israel no concurso.
Os boicotes estão relacionados com os ataques militares de Israel na Faixa de Gaza, nos últimos dois anos, que provocaram pelo menos 72 mil mortos e foram classificados como genocídio por uma comissão internacional independente de investigação da Organização das Nações Unidas.
Texto: Alentejo Ilustrado Fotografia: D.R.












