De acordo com a Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas do Alqueva (EDIA)a abertura dos descarregadores de meio fundo da barragem visa responder “à persistência de caudais afluentes elevados no Sistema Alqueva-Pedrógão”.
Segundo a empresa, a abertura dos descarregadores origina um caudal de descarga inicial de 600 metros cúbicos por segundo (m3/s) que, somado ao caudal turbinado, “perfaz um caudal lançado total de 1.200 m3/s”, ou seja, é lançada ao rio, a cada dois segundos, toda a água necessária para encher uma piscina olímpica.
A água proveniente das descargas de Alqueva vai seguir até à Barragem do Pedrógão, que também está integrada neste empreendimento de fins múltiplos e já está a descarregar desde o passado dia 21 deste mês para o Rio Guadiana.
“O caudal descarregado na Barragem de Pedrógão será na ordem dos 1500 m3/s”, acrescenta empresa gestora do Empreendimento de Fins Múltiplos do Alqueva (EFMA), segundo a qual “o armazenamento em Alqueva vinha a ser gerido, prioritariamente, através do turbinamento das centrais hidroelétricas, permitindo regular os volumes e assegurar a produção de energia”.
Em paralelo, explicou, “a Barragem de Pedrógão, situada a 23 quilómetros a jusante, efetuava descargas que contribuíam para a gestão dos caudais afluentes”.
“Contudo, face à persistência de afluências elevadas, tornou-se necessário complementar esta operação com descargas controladas também em Alqueva, garantindo a manutenção das margens de segurança operacionais da albufeira”, justificou.
Das descargas hoje iniciadas em Alqueva resultará “uma subida dos níveis e caudais do Rio Guadiana a jusante das barragens de Alqueva e Pedrógão, situação que está a ser acompanhada de forma permanente pela EDIA em articulação com as entidades competentes”.
A empresa, que garantiu estar a motorizar a evolução hidrológica em permanência, solicitou a colaboração das autoridades locais, agentes de proteção civil e população, no sentido de garantir a salvaguarda de pessoas e bens, recomendando especial atenção às zonas ribeirinhas e áreas potencialmente inundáveis, bem como a adoção de comportamentos preventivos.
A cota máxima da albufeira de Alqueva é a 152, que corresponde a uma capacidade total de armazenamento de 4.150 hectómetros cúbicos de água.
A última operação de descargas controladas na Barragem do Alqueva foi efetuada em 2013, também para gerir o volume de água da albufeira, que se aproximou da capacidade máxima de armazenamento, lembrou a EDIA.
Alqueva atingiu pela primeira vez o nível de pleno armazenamento em 2010, oito anos após fecho das comportas, o que motivou a primeira operação de descargas, repetida ainda em 2011.
Também em 2014, 2024 e 2025 a albufeira atingiu a capacidade máxima de armazenamento, mas não houve necessidade de proceder ao descarregamento de água, porque os níveis foram controlados através do turbinamento da central hidroelétrica.
Texto: Alentejo Ilustrado/Lusa | Fotografia: D.R.












