“Nesta altura, faltam 30 centímetros para iniciar a descarga, ou seja, cerca de dois milhões e meio [de metros cúbicos] de armazenamento [de água]. Portanto, está muito próxima a descarga”, diz o diretor-adjunto da Associação de Regantes e Beneficiários de Campilhas e Alto Sado, Ilídio Martins.
Segundo os dados divulgados por esta associação, com sede em Alvalade, no concelho de Santiago do Cacém, e que gere mais quatro barragens nesta região, a do Monte da Rocha registava hoje um volume de armazenamento de 97%, equivalente a quase 99,5 milhões de metros cúbicos (m3) de água.
Assim, explica Ilídio Martins, tendo em conta a precipitação prevista para noite de hoje, a primeira descarga para o Rio Sado deve ocorrer durante o dia de sexta-feira, operação terá lugar pelo descarregador de superfície.
Para já, está afastada a possibilidade de serem utilizadas as comportas de fundo. “Nesta fase, não há interesse em enviar mais água para as linhas de água, portanto temos que utilizar o máximo armazenamento para evitar as cheias”, frisou.
Desde 2011 que a Barragem do Monte da Rocha não atinge o nível pleno de armazenamento, sendo uma das últimas do país a efetuar descargas este ano, na sequência do mau tempo que tem afetado Portugal continental: “Todas as outras no país já estão a descarregar há muito tempo”, sublinhou.
A albufeira do Monte da Rocha assegura o abastecimento público nos concelhos de Ourique, Almodôvar e Castro Verde, assim como em parte dos de Mértola e Odemira, servindo ainda para o regadio de cerca de 1.800 hectares nos concelhos de Ourique e Santiago do Cacém, no âmbito do aproveitamento hidroagrícola do Alto Sado.
Há cerca de um ano, a 28 de janeiro de 2025, esta barragem era uma das que apresentava menor volume de armazenamento de água em Portugal, com apenas 13% da sua capacidade máxima.
O quadro é, atualmente, bastante distinto, o que abre boas perspetivas “para os próximos anos”, nomeadamente no que diz respeito à agricultura, diz Ilídio Martins.
De momento, decorrem as obras de ligação do Monte da Rocha ao Alqueva, através da Barragem do Roxo, no concelho de Aljustrel, num investimento de quase 30 milhões de euros, lançado em 2024 e que inclui também a criação do Bloco de Rega de Messejana.
Texto: Alentejo Ilustrado/Lusa | Fotografia: D.R.












