Barragem do Pisão: juiz prepara-se para ouvir moradores e testemunhas

O juiz do Tribunal Administrativo e Fiscal de Castelo Branco prepara-se para ouvir os habitantes da aldeia do Pisão, técnicos e testemunhas no âmbito dos processos judiciais que visam travar a construção da barragem, no Crato, todos devolvidos à primeira instância por decisão dos tribunais superiores, revelou o presidente da Comunidade Intermunicipal (CIM) do Alto Alentejo.

Joaquim Diogo explica que os processos regressaram ao tribunal de Castelo Branco por decisão das instâncias superiores, «uns deles por erros de forma» identificados.

De acordo com o também presidente da Câmara do Crato, os tribunais de instância superior remeteram os processos para a primeira instância para «correção desses atos administrativos que não foram bem acautelados».

«Como consequência disso, soubemos hoje que o juiz se prepara para ouvir uma série de pessoas, nomeadamente os habitantes da aldeia do Pisão, técnicos e testemunhas, que nós decidimos juntar ao processo», acrescenta.

Para Joaquim Diogo, trata-se de «um ato relevante para este processo» a possibilidade de «dar nota em tribunal» das questões técnicas e «da vontade das pessoas» sobre a Barragem do Pisão.

As obras para a construção desta barragem estão suspensas, desde maio, por decisão do Tribunal Central Administrativo Sul, após recurso judicial interposto por quatro associações ambientalistas.

O arrastar do processo levou, em abril, a ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho, a alertar para risco de perda de fundos por atraso obras.

Fotografia: Abate de árvores no local onde será construída a barragem, antes da suspensão das obras. © Direitos Reservados

Uma resposta

  1. Fico contente com a decisão da construção da barragem do Pisão.
    Dei lá aulas em 1978 . Não existia lá praticamente nada.
    A escola onde lecionava tinha alunos dos quatro anos de escolaridade numa única sala.
    Não existia uma única contínua ou empregada.
    Era eu e os alunos que limpávamos a escola.
    Não existia refeitório nem fogão. As comidas eram levadas de casa e longe de serem as ideais. Existia um aquecimento mas não existiam verbas para o gaz. Era eu que comprava as botijas de gaz.
    A única que existia era a distribuição de leite.
    Nem todos gostavam e, por isso, nem todos bebiam.
    A seguir tinham que lavar as canecas de de plástico.
    Tinha na turma quatro irmãos que diziam que os pais eram irmãos. Pedi ao Centro de Saúde que mandasse lá um médico porque estavam sempre a coçar-se. Tinham sarna! O médico disse-me que controlar a situação tinham de queimar a casa e tudo o lá houvesse. O meu problema é que lhes dava boleia no meu carro e não queria que a minha família também ficasse com sarna.
    Mas, se não lhes desse boleia tinham que andar cerca de quatro kilómetros. Lá consegui arranjar uma manta à prova de sarna que era utilizada sempre no dia a dia e, que no final do dia era posta num saco especial.
    As histórias da escolinha não acabam aqui mas, já dá para perceber, os “problemas “ que existiam por aqueles lados.

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