Barragem do Roxo atinge cota máxima e inicia descargas

A barragem do Roxo, em Aljustrel, atingiu a cota máxima e começou a descarregar água através do descarregador de superfície para uma ribeira afluente do Rio Sado, numa situação que está a provocar cheias a jusante e terrenos agrícolas alagados.

O presidente da Associação de Beneficiários do Roxo (ABR), António Parreira, indica que a água está a ser libertada através do descarregador de superfície, instalado cerca da cota 136, uma vez que a barragem “está a 100%” da sua capacidade.

“Está a descarregar pelo descarregador de superfície, situação que estávamos com grande receio, porque já estamos com cheias muito grandes a jusante da barragem”, diz o presidente da ABR, segundo o qual não foram utilizados os descarregadores de fundo da barragem, inaugurada em 1967 e que serve o Aproveitamento Hidroagrícola do Roxo, por problemas verificados numa válvula de uma das comportas.

“É um problema que temos que resolver quando a água baixar, lá para o final do verão”, reconhece António Parreira, revelando que “todos os terrenos que estão junto à barragem e à ribeira estão alagados.

Por outro lado, o presidente da ABR critica a decisão da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) de realizar descargas na barragem de Alvito, no concelho de Cuba, cuja água acabou por chegar ao Roxo: “Nessa altura, chamámos a atenção da APA de que o Roxo, mais dia menos dia, ia encher e provocar aqui uma pressão grande na ribeira e nas estradas, que foi o que aconteceu””.

António Parreira alude ainda à necessidade de se realizar uma limpeza da ribeira do Roxo, que a ABR solicitou anteriormente à APA.

“Limparam um bocadinho, mas pouco adiantou. E agora a APA diz que quem tem de limpar a ribeira são os agricultores”, critica o presidente da associação, insistindo que “a ribeira tem de ser limpa, porque isto é um perigo para populações”.

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