«Há 90 anos, quando ocorreu a guerra [civil] de Espanha, Barrancos tornou-se um lugar de acolhimento e esperança num dos períodos mais dolorosos da Península Ibérica», destacou o presidente da câmara, sublinhando que o campo é «um testemunho dessa época».
Segundo refere, trata-se de um dos símbolos de um período «marcado pela solidariedade, acolhimento e movimentações de pessoas que atravessaram as fronteiras em busca de segurança», pelo que é necessário «reconhecer a importância histórica desse lugar».
A distinção de Marca do Património Europeu — adianta — é atribuída pela União Europeia «para valorizar locais que desempenham um papel fundamental na história, na cultura e na construção da Europa atual», sendo que o antigo campo de refugiados «é um destes lugares».
O projeto de candidatura vai ser desenvolvido pela Câmara de Barrancos e pela Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas do Alqueva (EDIA), dona da herdade.
Para Emílio Domingues, o intuito é «avançar com uma candidatura» para «destacar o significado do projeto a nível europeu e incentivar a preservação e a divulgação desse património junto das gerações atuais e futuras».
«Julgo que [com esta distinção] teremos uma combinação perfeita entre o que foi o passado e o que poderá ser um ato de homenagem a essas pessoas que souberam, há 90 anos, de forma simples, acolher quem vinha fugido da guerra», explica o autarca, antecipando que o processo de validação «demorará alguns meses», mas esperançado que seja «coroado com êxito» por parte dos governantes, da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Alentejo e das entidades envolvidas.
De acordo com Emílio Domingues, a atribuição do selo permitirá, também, incluir o campo de refugiados da Coitadinha num «roteiro turístico» e, com isso, valorizar o local a esse nível.
A contextualização da candidatura vai ser apresentada amanhã, dia 19, na cerimónia de celebração do 90.º aniversário do campo de refugiados de Barrancos, da herdade da Coitadinha, a realizar no cineteatro municipal.Na mesma sessão será dada a conhecer a associação La Ruta de los Refugiados, criada «há cerca de seis meses» em Jerez de los Caballeros (Espanha).
«A associação foi criada por espanhóis descendentes de cidadãos que estiveram no campo de refugiados da herdade da Coitadinha e, nos órgãos sociais, tem também algumas pessoas de Barrancos», revelou Emílio Domingues.
Segundo o presidente da autarquia, o propósito da entidade é «recordar, honrar e homenagear a memória e o património associado à presença dos refugiados em Barrancos durante a guerra civil de Espanha».
O programa de celebração tem início às 17h30, com a sessão de abertura, seguindo-se a apresentação da associação, 15 minutos depois, e a contextualização da candidatura, às 18h55. O evento termina com a atuação do grupo de cante alentejano Granjarte, às 19h15.
Texto: Alentejo Ilustrado/Lusa
Fotografia: Trilho na herdade da Coitadinha. © wikiloc










